Acórdão · TJSP

1031923-12.2023.8.26.0005

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.I DP2Rel. REGINA APARECIDA CARO GONÇALVES24 fev 2026
Falso agente INSSConsignado INSSLigaçãoConsignado indevido
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Daycoval obteve afastamento do dano moral (R$10k) via REsp 2.238.562/SP; falhou na tese principal — responsabilidade objetiva por biometria facial fraudada mantida pela Súmula 479 STJ e ausência de prova do elemento volitivo.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Consignado INSS
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
Recíproca 50/50
Descrição do golpe

Golpe da prova de vida: vítima foi induzida por ligação telefônica a fornecer fotografia (biometria facial) sob pretexto de evitar cancelamento de benefício previdenciário, permitindo contratação fraudulenta de empréstimo consignado e cartão de crédito com reserva de margem consignável em seu nome

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssContratacao Digital
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 0,00
Afastado Mero Aborrecimento
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fraude_bancaria_sem_circunstancias_agravantes_nao_configura_dano_moral_in_re_ipsa

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Fraude Biometria Consignado

    Banco não comprovou elemento volitivo da contratação; documentos unilaterais insuficientes; Súmula 479 STJ e art. 14 CDC aplicados em favor da consumidora idosa vulnerável.

    Requisitos
    Biometria AusenteDados Fornecidos VoluntariamenteBo Registrado TempestivoAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoDispositivo Da Vitima UsadoHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Fraude Consignado Sem Circunstancias Agravantes Nao Gera Dano Moral

    REsp 2.238.562/SP: fraude bancária em consignado, por si só, não gera dano moral in re ipsa; ausência de negativação, cobrança vexatória ou abalo psicológico comprovado afasta indenização.

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoAusencia Prova Tecnica AutorOperacao Atipica
  • HonorariosParcialAcolhida
    Sucumbencia Reciproca 50 50 Dano Moral Afastado

    Provimento parcial do recurso (afastamento do dano moral) ensejou sucumbência recíproca, com honorários de 15% sobre valor da causa atualizado para ambas as partes.

  • IntegralPró-consumidorRejeitada
    Validade Contratacao Eletronica Biometria Facial

    Protocolo de assinatura com biometria, geolocalização, IP e metadados considerados documentos unilaterais insuficientes para suprir ausência de manifestação volitiva da autora.

    Requisitos
    Biometria ValidadaLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio CompletoDispositivo Reconhecido
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral In Re Ipsa Fraude Consignado

    STJ (REsp 2.238.562/SP) e TJSP (AC 1014546-87.2024.8.26.0071) consolidaram que contratação fraudulenta de consignado sem circunstâncias agravantes não justifica dano moral in re ipsa.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorBo Registrado Tempestivo

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para manutenção da responsabilidade objetiva do banco por fraude de terceiro com biometria facial, caracterizada como fortuito interno intransponível.

  • STJ2.238.562/SP

    Decisivo para afastamento do dano moral in re ipsa: STJ fixou que fraude em consignado, por si só, não basta; acórdão seguiu esse entendimento para reformar a sentença nesse ponto.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços aplicada para manter a inexigibilidade dos contratos e devolução dos valores descontados.

Contrapontos rebatidos

  • Banco arguiu que biometria facial é modalidade expressamente autorizada (CPC art. 784 §4º, Lei 14.063/2020, IN INSS 138/2022) e que protocolo com hash criptográfico, geolocalização e IP identificou inequivocamente a contratante; acórdão rejeitou por insuficiência probatória unilateral.
  • Sentença de primeiro grau reconheceu dano moral automático pelos descontos no benefício; banco rebateu com REsp 2.238.562/SP e AgInt AREsp 2.149.415/MG exigindo circunstâncias agravantes; TJSP acolheu o rebate e afastou os R$10.000,00.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Banco não comprovou que a autora manifestou válida vontade de contratar; documentos unilaterais (protocolo biométrico, geolocalização, hash) foram insuficientes, revertendo o ônus probatório contra o fornecedor.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·protocolo de assinatura com biometria facial, geolocalização, IP, hash
  • ·boletim de ocorrência registrado pela autora
  • ·depósito judicial dos valores creditados na conta
  • ·tutela antecipada de fls. 47/48 suspendendo descontos
  • ·depoimento pessoal da autora negando contratação

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional V - São Miguel Paulista · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
ANA LUISA MARCONDES ESTEVES
Competência
Cível
Data de autuação
15 dez 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 18.255,50
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Moral
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. I (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
REGINA APARECIDA CARO GONÇALVES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 18.255,50
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários - Empréstimo consignado
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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