Acórdão · TJSP

1019250-38.2025.8.26.0224

ApelaçãO CíVel21ª CDPrivRel. FÁBIO PODESTÁ23 fev 2026
Falsa central de atendimentoItaúConta corrente PFLigaçãoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Itaú condenado por fortuito interno em falsa central (Pix R$4.700 + consignado abusivo): banco não monitorou operações atípicas de beneficiária LOAS; dano moral R$5.000 mantido — Rel. Fábio Podestá, 21ª Câmara TJSP.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Vítima recebeu SMS sobre compra suspeita, ligou para o número no verso do cartão e foi atendida por falso atendente que convenceu a transferir R$4.700 via Pix para uma chave indicada como sendo do banco, além de crediário e boleto não contratados pela vítima

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoOperacoes Em Sequencia RapidaPre Emprestimo Antes TransferenciaPix Unico Alto Valor
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta Destino

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 5.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitada
    Fortuito Interno Falsa Central Atendimento Pix

    Tese do banco rejeitada: falso atendente fraudou canal oficial do banco; ausência de monitoramento do perfil configurou fortuito interno (art. 14 CDC + Tema 466 STJ).

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaAnalise Valor AtipicoAnalise Sequencia Operacoes AnomalaBo Registrado TempestivoDados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente Tecnica
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Transferencia Voluntaria

    Argumento de culpa exclusiva da consumidora rejeitado: engenharia social via canal oficial conferiu credibilidade ao falso atendente, afastando culpa da vítima.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteSenha Validada BancoHipossuficiente TecnicaAto Terceiro Identificado
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral In Re Ipsa Engenharia Social Beneficio Assistencial

    Dano moral in re ipsa reconhecido pelo comprometimento de renda proveniente de benefício assistencial LOAS; valor de R$5.000 mantido por proporcionalidade.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao AtipicaBo Registrado Tempestivo
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Ausencia Abalo Moral Reducao Quantum

    Pedido de redução do quantum rejeitado: dano extrapatrimonial in re ipsa com comprometimento de renda alimentar (LOAS) torna R$5.000 razoável e proporcional.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Rejeicao Cerceamento Defesa Suficiencia Prova Documental

    Preliminar de cerceamento de defesa rejeitada: prova documental (BO, extratos, comprovante) suficiente, tornando desnecessário o depoimento pessoal (art. 370 §único CPC).

    Requisitos
    Log Auditoria DisponivelBo Registrado Tempestivo

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Tema Stj466

    Fundamento central para imputar responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno relativo a fraudes de terceiros em operações bancárias.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva da instituição financeira pela falha na segurança do serviço prestado, independentemente de culpa.

  • TJSP1000049-49.2025.8.26.0357

    Precedente da própria 21ª Câmara (Rel. Décio Rodrigues) com fatos análogos — golpe do falso funcionário, dano moral R$5.000 — usado para manter o quantum indenizatório.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que a apelada realizou voluntariamente as transações com uso de senha pessoal; acórdão rebateu indicando que o falso atendente fraudou o canal oficial do banco, conferindo credibilidade à ligação e configurando fortuito interno.
  • Banco arguiu que não há prova de que terceiros tiveram acesso aos dados da autora; acórdão reverteu o ônus (art. 373, II, CPC) e reconheceu que o banco não demonstrou a impossibilidade do acesso pelo fraudador.
  • Banco sustentou que golpe de engenharia social não gera responsabilidade da instituição; acórdão afastou ao reconhecer falha no dever de monitoramento do perfil da correntista, cujas operações destoavam claramente do padrão habitual.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não desincumbiu o ônus de provar a regularidade do crediário e do boleto contestados (art. 373, II, CPC), o que pesou decisivamente na procedência do pedido de nulidade.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Beneficiário INSS
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·Boletim de Ocorrência lavrado pela autora
  • ·comprovante de fl. 85
  • ·extratos bancários de fls. 33/34
  • ·contrato de empréstimo consignado fls. 31/32
  • ·documentos do benefício LOAS fls. 20/22

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Guarulhos · 8ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Luiz Gustavo de Oliveira Martins Pereira
Competência
Cível
Data de autuação
24 abr 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 15.700,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
21ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
FÁBIO PODESTÁ
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 15.700,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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