Acórdão · TJSP

1016069-93.2024.8.26.0020

ApelaçãO CíVel16ª CDPrivRel. MARCELO IELO AMARO12 fev 2026
Falsa central de atendimentoInterConta corrente PJLigaçãoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Inter condenado a restituir R$50k por falha em monitorar Pix atípico de PJ (máx. histórico R$5.591): divergência de perfil flagrante ignorada; honorários majorados a 15%; precedente útil à defesa apenas como material de distinção.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PJ
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 50.000,00
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe do falso funcionário/falsa central de atendimento: representante legal da PJ recebeu ligação de suposto funcionário do banco informando queda do sistema, foi induzido a realizar procedimentos que resultaram em transferência via Pix de R$ 50.000,00 a terceiro desconhecido

Marcadores do caso
Vitima Pj MicroPix Unico Alto ValorValor Alto AtipicoDispositivo Da Vitima Usado
Sinais de alerta
Monitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 50.000,00
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado
R$ 50.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha Monitoramento Perfil Correntista Pix Atipico

    Extratos comprovaram que Pix de R$50k destoava radicalmente do perfil (máx. R$5.591,03); banco admitiu inexistência de regra de monitoramento de perfil, configurando defeito no serviço (Súmula 479 STJ + Enunciado 14 TJSP).

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaAnalise Valor AtipicoOperacao No Perfil VitimaLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio CompletoDispositivo Da Vitima Usado
  • MaterialPró-consumidorAcolhida
    Rejeicao Culpa Exclusiva Vitima E Culpa Concorrente

    Acórdão afastou culpa exclusiva e concorrente pois o cerne é a falha de monitoramento; conduta da vítima é irrelevante diante do descumprimento do dever objetivo de segurança pelo banco.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaDados Fornecidos VoluntariamenteAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Recursais Tema 1059

    Recurso integralmente desprovido; honorários majorados de 10% para 15% sobre o valor atualizado da condenação conforme Tema Repetitivo 1059 STJ e art. 85 §11 CPC.

    Requisitos
    Outro
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Inaplicabilidade Cdc

    CDC aplicável à PJ (Súmula 297 STJ); responsabilidade objetiva do art. 14 CDC afasta excludente; banco não demonstrou que operação era compatível com perfil da cliente.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Concorrente Autora 50 Por Cento

    Culpa concorrente rejeitada pois o descumprimento do dever de monitoramento de perfil pelo banco absorve a conduta da vítima; não há nexo causal autônomo para a conduta da autora.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteOperacao Atipica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fraudes de terceiros no âmbito de operações bancárias (fortuito interno), ancorando toda a condenação.

  • STJ2.052.228/DF

    STJ (Min. Nancy Andrighi, 3ª Turma, j. 12/09/2023) fixou dever de identificar e impedir movimentações que destoam do perfil do consumidor; citado diretamente como fundamento do defeito no serviço.

  • Enunciado Tjsp14_Seção_Direito_Privado

    Enunciado 14 SDP-TJSP consolida que falha na segurança e desrespeito ao perfil do correntista em fraudes PIX gera responsabilidade da instituição financeira, aplicado diretamente ao caso.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que CDC não se aplica à PJ autora; acórdão rejeitou invocando art. 3º §2º CDC e Súmula 297 STJ, reconhecendo relação de consumo.
  • Banco afirmou que operação foi autenticada pelo cliente e culpa é exclusiva da vítima/estelionatário; acórdão rejeitou pois o banco admitiu inexistência de regra de monitoramento de perfil, tornando irrelevante o modo de execução do golpe.
  • Subsidiariamente o banco pediu culpa concorrente a 50%; acórdão negou pois o cerne é o descumprimento do dever de monitoramento, não a conduta da autora.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco limitou-se a afirmar autenticação regular e inexistência de regra de monitoramento de perfil, não produzindo prova de que a operação era compatível com o histórico da cliente, ônus que lhe cabia (art. 14 §3º CDC).

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
PJ micro/pequena
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·extratos bancários fls. 20/23 (abr-ago/2024)
  • ·contrato de serviços fls. 39/44
  • ·razões recursais fls. 310/331
  • ·contrarrazões fls. 337/340
  • ·sentença fls. 305/307

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional XII - Nossa Senhora do Ó · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Competência
Cível
Data de autuação
27 set 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 100.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
16ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
MARCELO IELO AMARO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 100.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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