Acórdão · TJSP

1015790-86.2023.8.26.0006

ApelaçãO CíVel12ª CDPrivRel. JACOB VALENTE4 fev 2026
Falsa central de atendimentoItaúConta corrente PFLigaçãoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Itaú condenado a restituir R$62.900 por falha em bloquear 4 PIX subsequentes após alerta na 1ª operação atípica — Súmula 479/STJ + Resolução BCB 147/2021 art. 39-B aplicados pela 12ª Câmara (Rel. Jacob Valente).

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 62.900,00
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe do falso funcionário: vítima recebeu ligação telefônica de suposto preposto da central de segurança do banco, que a instruiu a acessar o aplicativo para cancelar transações suspeitas, resultando em cinco transferências via Pix totalizando R$ 62.900,00

Marcadores do caso
Dispositivo Da Vitima UsadoMultiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoOperacoes Em Sequencia RapidaRecurso Financeiro Alimentar Comprometido
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 62.900,00
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado
R$ 62.900,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitada
    Fortuito Interno Falha Monitoramento Pix Sequencial

    Banco liberou 4 PIX adicionais sem bloqueio cautelar após alerta na 1ª transação, configurando fortuito interno e falha no dever de monitoramento previsto na Resolução BCB 147/2021 art. 39-B

    Requisitos
    Alerta Antifraude DisparadoAlerta Antifraude Nao DisparadoDispositivo Da Vitima UsadoOperacao AtipicaAnalise Sequencia Operacoes AnomalaAnalise Valor AtipicoToken Digital ConfirmadoSenha Validada BancoMonitoramento Ativo Reconhecido
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Autora Seguiu Instrucoes Fraudadores

    Acórdão rejeitou culpa exclusiva da consumidora pois a fraude de terceiro no âmbito de operações bancárias é fortuito interno, não externo, independentemente de uso de senha/token/dispositivo cadastrado

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoToken Digital ConfirmadoSenha Validada BancoAto Terceiro IdentificadoHipossuficiente Tecnica
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Rejeicao Ilegitimidade Passiva Relacao Contratual Comprovada

    Relação contratual entre as partes comprovada e transações realizadas via serviços do banco afastaram a ilegitimidade passiva

    Requisitos
    Outro
  • ProcessualPró-bancoRejeitada
    Cerceamento Defesa Prova Oral

    Matéria exclusivamente de direito com fatos documentalmente comprovados; julgamento antecipado autorizado pelo art. 355 CPC sem cerceamento de defesa

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • ProcessualPró-bancoRejeitada
    Denunciacao Lide Beneficiarios Transferencias

    Art. 88 CDC veda expressamente denunciação da lide em relação de consumo; banco pode ajuizar ação regressiva autônoma

    Requisitos
    Outro
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios 10 Para 12 Por Cento

    Desprovimento do recurso ensejou majoração dos honorários de 10% para 12% sobre o valor da condenação (R$62.900) nos termos do art. 85 §11 CPC

    Requisitos
    Outro

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva: instituições financeiras respondem por fortuito interno relativo a fraudes de terceiros no âmbito de operações bancárias, sem possibilidade de exclusão por culpa concorrente da vítima

  • Art Cdc88

    Vedou expressamente a denunciação da lide requerida pelo banco, eliminando a preliminar e mantendo a integridade do polo passivo

  • Art Cpc355

    Fundamentou o julgamento antecipado da lide e afastou cerceamento de defesa, consolidando a condenação sem necessidade de prova oral requerida pelo banco

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que todas as operações ocorreram com senha, token e dispositivo cadastrado, em ambiente seguro; acórdão rebateu afirmando que a aparência de legalidade não afasta a falha no monitoramento de sequência atípica, sendo o fortuito interno independente da regularidade formal das autenticações
  • Banco atribuiu a autora seguir instruções por telefone como culpa exclusiva de terceiro; acórdão distinguiu fortuito externo (evento absolutamente estranho à atividade bancária) de fortuito interno (fraude no âmbito das operações bancárias), afastando a excludente
  • Banco sustentou não haver expectativa contratual de monitoramento personalizado de perfil de consumo; acórdão aplicou a Resolução BCB 147/2021 art. 39-B como obrigação legal expressa de monitorar e bloquear cautelarmente em caso de suspeita de fraude

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não demonstrou ter adotado qualquer diligência adicional após a primeira transação com alerta, revelando omissão no dever legal de bloqueio cautelar previsto na Resolução BCB 147/2021 art. 39-B

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·sentença fls. 650/655
  • ·apelação fls. 662/681
  • ·preparo fls. 682/683
  • ·resposta fls. 706/721
  • ·oposição julgamento virtual fls. 725

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional VI - Penha de França · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Luciana Antunes Ribeiro Crocomo
Competência
Cível
Data de autuação
26 out 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 62.900,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
12ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
JACOB VALENTE
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 62.900,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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