Acórdão · TJSP

1010260-53.2022.8.26.0001

Invasão de conta / empréstimos fraudulentosConta corrente PJDigital (não especificado)PIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

PJ (hospital veterinário) obtém condenação solidária de Stone e Ebanx por PIX fraudulento de R$20k; Stone falhou ao não bloquear operação atípica; Ebanx falhou no KYC ao abrir conta em nome da vítima.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PJ
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 20.000,00
Divisão da responsabilidade
Solidária entre réus
Descrição do golpe

Fraudadores abriram conta em nome da vítima (PJ) junto à Ebanx e, após acessar indevidamente a conta da Stone, realizaram transferência via PIX de R$ 20.000,00 para a conta falsa aberta em nome da própria autora.

Marcadores do caso
Vitima Pj MicroPix Unico Alto ValorDispositivo De Terceiro Usado
Sinais de alerta
Antifraude FalhouSem Biometria ContratacaoKyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
R$ 20.000,00
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado
R$ 20.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Solidaria Instituicoes Pagamento Fraude Pix

    Ambas as instituições não se desincumbiram do ônus de provar ausência de falha: Ebanx abriu conta fraudulenta sem KYC adequado; Stone não bloqueou operação atípica de elevado valor nem adotou verificação em duas etapas.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoFalha Kyc IntermediarioAusencia Prova Tecnica AutorOperacao AtipicaCombo Probatorio Completo
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Aplicabilidade Cdc Pj Destinataria Final

    Autora é destinatária final dos serviços bancários (abertura de conta para movimentação de recursos), afastando a figura de consumidor intermediário e aplicando o CDC.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Art85 Par11 Cpc

    Recursos desprovidos em grau recursal impõem majoração dos honorários de 10% para 15% nos termos do art. 85, §11, do CPC.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Fortuito Externo Conduta Terceiro Fraudador

    Teoria do risco da atividade absorve o fortuito externo no âmbito das instituições financeiras; bloqueio posterior da conta não elide a falha prévia no KYC da Ebanx.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Uso Senha

    Stone não provou que a operação estava dentro do perfil do correntista nem apresentou documentos que corroborassem a alegação de culpa exclusiva da vítima ou de terceiro.

    Requisitos
    Senha Validada BancoDados Fornecidos VoluntariamenteToken Digital Confirmado
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Inaplicabilidade Cdc Consumidor Intermediario

    Autora utiliza conta bancária como destinatária final dos serviços, não como insumo produtivo intermediário, afastando a tese de consumidor intermediário.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14 e 29

    Fundamento da responsabilidade objetiva das instituições financeiras pela teoria do risco da atividade, afastando excludentes de fortuito externo e culpa de terceiro.

  • Art Cpc373, II

    Ônus das rés de provar ausência de falha na prestação do serviço não foi cumprido, tendo as instituições se limitado a teses genéricas sem apresentar documentos probatórios.

  • Art Cpc85, §11

    Fundamentou a majoração dos honorários advocatícios de 10% para 15% sobre o valor da condenação ante o desprovimento dos recursos em grau recursal.

Contrapontos rebatidos

  • Stone alegou que a transação exigiu login e senha do cliente, sugerindo culpa exclusiva; o acórdão rebateu afirmando que as rés não provaram que a operação estava dentro do perfil do correntista nem apresentaram documentos sobre ausência de falha.
  • Ebanx alegou diligência ao bloquear a conta assim que soube da fraude; o acórdão rebateu destacando que a abertura fraudulenta da conta já configurou a falha de serviço, sendo o bloqueio posterior insuficiente para afastar a responsabilidade.
  • Ebanx tentou atribuir exclusivamente à Stone a responsabilidade pela fraude; o acórdão rejeitou reconhecendo responsabilidade solidária de ambas as instituições na cadeia do serviço.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    As rés limitaram-se a teses genéricas sobre culpa de terceiros e não apresentaram documentos comprovando que a operação estava no perfil do correntista ou que inexistia falha no serviço, nos termos do art. 373, II, do CPC.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Ebanx não demonstrou que seguiu protocolos adequados de verificação cadastral (KYC) aptos a impedir abertura de conta fraudulenta em nome da autora.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
PJ micro/pequena
Vulnerabilidade
Pessoa jurídica
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·comprovante de PIX R$20.000 (fls. 19)
  • ·apelação Stone (fls. 209/218)
  • ·comprovante preparo Stone (fls. 219/220)
  • ·apelação Ebanx (fls. 240/248)
  • ·comprovante preparo Ebanx (fls. 250/251)
  • ·oposição julgamento virtual (fls. 265)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Regional I - Santana · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Ana Claudia Dabus Guimarães e Souza
Competência
Cível
Data de autuação
8 abr 2022
Última movimentação
Valor da causa
R$ 20.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. I (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
REGINA APARECIDA CARO GONÇALVES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 20.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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