Acórdão · TJSP

1007817-79.2024.8.26.0577

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.III DP2Rel. PAULO TOLEDO3 mar 2026
Falsa central de atendimentoBradescoConta poupançaLigaçãoBoleto pago
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP reforma improcedência: Bradesco responde por fraude via falsa central/malware (empréstimos+poupança+boleto); dano moral R$12k por negativação ~1 ano e cobranças após tutela judicial — util para defesa em recursos futuros.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta poupança
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Boleto pago
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Vítima contatada por suposto preposto do banco (falsa central de atendimento), com envio de links/malware que possibilitou acesso indevido à conta; foram contratados empréstimos, resgatada poupança e pago boleto fraudulento em favor dos estelionatários.

Marcadores do caso
Pre Emprestimo Antes TransferenciaMultiplas Transferencias EscalonadasValor Alto Atipico
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 12.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 12.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha Seguranca Acesso Indevido Malware Boleto Emprestimo

    Acórdão reconheceu falha objetiva do banco por permitir acesso via malware sem confirmar identidade do correntista; banco não comprovou colaboração do autor nem eficácia do antifraude.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAlerta Antifraude Nao DisparadoAnalise Valor AtipicoAcesso Remoto Anydesk Todesk HdpLog Auditoria DisponivelBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado TempestivoHipossuficiente TecnicaAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Negativacao Indevida Cobranca Apos Tutela

    Negativação por ~1 ano e cobranças reiteradas mesmo após tutela judicial configuraram dano moral in re ipsa, fixado em R$12.000,00.

    Requisitos
    Estorno Solicitado TempestivoBo Registrado TempestivoContato Central Anterior
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Inversao Onus Sucumbenciais Sumula 326

    Súmula 326 STJ aplicada: sucumbência do autor mínima apenas no quantum de materiais; honorários de 13% sobre a condenação integralmente invertidos ao banco.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Fornecimento Credenciais

    Banco não comprovou colaboração do autor; prints e gravação indicaram malware via link, não fornecimento voluntário de credenciais; telas de log insuficientes.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteLog Auditoria DisponivelCombo Probatorio Completo
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Ato De Terceiro Estelionatario Excludente

    Fraude por terceiro classificada como fortuito interno (risco da atividade bancária); Súmula 479 STJ afastou excludente de responsabilidade por ato de terceiro.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Definiu responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno, afastando a tese de culpa exclusiva do consumidor e do ato de terceiro como excludente.

  • STJ1.199.782/PR

    REsp repetitivo (2ª Seção, Min. Salomão) fixou que fraudes por terceiros são fortuito interno e risco do empreendimento bancário, base central da condenação.

  • Art Cdc14_caput

    Responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços aplicada diretamente para atribuir ao banco o dever de reparar todos os danos decorrentes do defeito do serviço.

Contrapontos rebatidos

  • Banco apresentou logs de acesso (fls. 109/136) para sugerir que operações foram autenticadas regularmente, mas o acórdão reconheceu que logs não afastam o acesso facilitado via malware instalado por link.
  • Autor demonstrou que boleto pago excedia limites próprios da instituição; banco não justificou a aprovação, o que o acórdão tratou como falha de segurança decisiva.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco alegou culpa exclusiva do autor mas não produziu prova de que ele forneceu credenciais; ônus de prova da excludente (art. 14 §3 II CDC) não cumprido pelo banco, determinando a condenação.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não explicou como boleto acima de seu próprio limite foi aprovado, configurando silêncio probatório que o acórdão valorou como falha de segurança.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·prints acostados (fls. 45, 49/50, 52/55)
  • ·gravação contida à fl. 255
  • ·boletim de ocorrência lavrado pelo autor
  • ·logs de acesso juntados pela ré (fls. 109/136)
  • ·extrato poupança resgatada (fl. 45)
  • ·contratos nº 2918755 e 2946994 (fls. 02/03)
  • ·exclusão negativação em 03/02/2025 (fl. 236)
  • ·tutela de urgência (fls. 77/78)
  • ·cobranças indevidas (fls. 150/151, 162/177, 183, 192/201, 229/234)
  • ·encargos cheque especial (fls. 56/57)
  • ·negativa administrativa (fls. 61, 62/63 e 69/71)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de São José dos Campos · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Maurício Brisque Neiva
Competência
Cível
Data de autuação
18 mar 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 21.614,55
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. III (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
PAULO TOLEDO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 21.614,55
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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