Acórdão · TJSP

1007089-45.2024.8.26.0510

ApelaçãO CíVel18ª CDPrivRel. WILSON JULIO ZANLUQUI3 fev 2026
Falsa central de atendimentoSantanderCartão de créditoLigaçãoCompra com cartão
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP 18ª Câmara reforma sentença pró-consumidor e julga improcedente ação de R$4.940 por golpe de falsa central: fortuito externo + culpa exclusiva afastam Súmula 479 STJ; precedente útil para defesa do banco em casos análogos.

O que foi julgado

Produto bancário
Cartão de crédito
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Compra com cartão
Valor fraudado
R$ 4.940,62
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe de engenharia social / falsa central de atendimento: a titular do cartão de crédito foi contatada por estelionatários que se passaram por representantes do banco, obtendo suas credenciais ou a validação das transações fraudulentas no cartão de crédito.

Marcadores do caso
Dispositivo Da Vitima UsadoToken Entregue

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_consumidor_terceiro

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Fortuito Externo Engenharia Social Credenciais Fornecidas

    Operações autenticadas com chip, senha e token/biometria sob guarda da consumidora; engenharia social por terceiros configura fortuito externo que rompe nexo causal, afastando responsabilidade objetiva do banco.

    Requisitos
    Token Digital ConfirmadoSenha Validada BancoDispositivo Da Vitima UsadoDados Fornecidos VoluntariamenteAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao No Perfil VitimaHipossuficiente Tecnica
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Inversao Sucumbencia Acao Improcedente

    Com a improcedência total, os ônus sucumbenciais foram invertidos e a autora condenada em custas e honorários de 10% sobre o valor atualizado da causa, observada a gratuidade de justiça.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Sumula 479 Responsabilidade Objetiva Fraude Cartao

    Súmula 479 STJ afastada porque a fraude não decorreu de falha interna do sistema bancário, mas de engenharia social externa viabilizada pela própria vítima.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica AutorAlerta Antifraude Nao Disparado
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Fraude Cartao Negativacao

    Afastada a responsabilidade do banco, a cobrança e eventual negativação constituem exercício regular de direito, inexistindo dano moral indenizável.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14 §3º II

    Fundamento central da exclusão de responsabilidade: culpa exclusiva da vítima/terceiro como excludente expressa que afasta a responsabilidade objetiva do banco, determinando a improcedência total da ação.

  • Sumula Stj479

    Súmula afastada como inaplicável ao caso: a fraude por engenharia social não é falha interna do sistema bancário, o que elimina a premissa de incidência do enunciado e é o nó da virada do acórdão.

  • TJSP1191165-76.2024.8.26.0100

    Precedente da própria 18ª Câmara (Rel. Henrique Rodriguero Clavisio, 13/10/2025) citado como paradigma direto de golpe de falsa central com culpa exclusiva da vítima, reforçando a uniformidade do entendimento da turma julgadora.

Contrapontos rebatidos

  • A autora alegou que o banco reconheceu fraude em outras compras mas manteve a cobrança das duas transações contestadas; o banco demonstrou que essas operações específicas foram validadas com chip, senha e autenticação digital, indicando que houve engajamento ativo da vítima nessas transações.
  • A autora alegou descumprimento de liminar e risco de negativação como fundamento do dano moral; o acórdão rebateu afirmando que, reconhecida a validade das transações, a cobrança e eventual negativação constituem exercício regular de direito do credor.
  • A autora invocou a Teoria do Desvio Produtivo e caráter punitivo para majorar danos morais a R$10.000; com a improcedência total da ação, o recurso da autora foi julgado prejudicado, tornando inviável qualquer majoração.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O acórdão consignou que a versão do banco sobre autenticação via chip, senha e token não foi cabalmente refutada pela autora, pesando decisivamente contra ela na análise do nexo causal.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Não

Documentos citados

  • ·protocolo nº 4004-3535
  • ·tutela antecipada de fls. 66
  • ·sentença de fls. 211/214
  • ·decisão de embargos de fls. 247
  • ·apelação autora fls. 251/256
  • ·apelação réu fls. 257/273
  • ·contrarrazões autora fls. 294/299
  • ·contrarrazões réu fls. 300/304

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Rio Claro · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Cyntia Andraus Carretta
Competência
Cível
Data de autuação
2 jul 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 14.939,62
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
18ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
WILSON JULIO ZANLUQUI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 14.939,62
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Cartão de Crédito
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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