Acórdão · TJSP

1006388-54.2024.8.26.0132

ApelaçãO CíVel38ª CDPrivRel. FERNANDO SASTRE REDONDO20 fev 2026
Falso funcionário/gerenteMercantilEmpréstimo pessoalWhatsAppPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Mercantil condenado em R$100k por golpe da portabilidade com vazamento de dados sigilosos: Súmula 479 STJ aplicada — idoso aposentado por invalidez, recurso negado por unanimidade, 38ª Câmara TJSP, Rel. Sastre Redondo.

O que foi julgado

Produto bancário
Empréstimo pessoal
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 100.000,00
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe da portabilidade: terceiro fraudador se passou por preposto do banco, possuía dados sigilosos do cliente de antemão, induziu contratação de empréstimo e transferência do valor via PIX aos golpistas via WhatsApp

Marcadores do caso
Vitima IdosaVitima Aposentado InssPix Unico Alto ValorPre Emprestimo Antes TransferenciaRecurso Financeiro Alimentar ComprometidoContratacao Digital
Sinais de alerta
Antifraude FalhouKyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
R$ 100.000,00
Dano moral
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 100.000,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorRejeitada
    Fortuito Interno Responsabilidade Objetiva Vazamento Dados Sigilosos

    Banco não explicou vazamento de dados sigilosos nem comprovou adoção de medidas de segurança — Súmula 479 STJ aplicada, responsabilidade objetiva reconhecida.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteLog Auditoria DisponivelAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaPre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoAusencia Prova Tecnica AutorHipossuficiente Tecnica
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Regularidade Formal Transacoes

    Banco limitou-se a afirmar regularidade formal sem impugnar especificamente os fatos nem explicar o acesso de terceiros a dados sigilosos.

    Requisitos
    Senha Validada BancoCombo Probatorio CompletoLog Auditoria Disponivel
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral In Re Ipsa Fraude Bancaria Idoso Aposentado

    Dano moral in re ipsa reconhecido pela violação da segurança bancária sofrida por idoso aposentado por invalidez com comprometimento de renda alimentar.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOperacao AtipicaPre Existencia Emprestimo Antes Pix Suspeito
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Reducao Danos Morais Valor Elevado

    Valor mantido por atender proporcionalidade e razoabilidade frente à extensão do dano e condição econômica da vítima idosa e aposentada.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Fase Recursal

    Honorários majorados de 10% para 15% da condenação nos termos do art. 85 §11 CPC pelo acréscimo de trabalho na fase recursal.

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva do banco por fortuito interno, aplicada diretamente para afastar a tese de regularidade formal e impor o dever de indenizar.

  • Art Cdc14_§3

    Base legal da responsabilidade objetiva do fornecedor, afastando excludentes de culpa de terceiro por ausência de prova de inexistência de defeito no serviço.

Contrapontos rebatidos

  • O banco alegou regularidade formal das transações, mas o acórdão rebateu afirmando que o fraudador possuía dados sigilosos que só o banco poderia fornecer e que a instituição não explicou o vazamento — o crédito na conta do autor não afasta a fraude.
  • O banco pugnou pela redução do dano moral por mero aborrecimento, mas o acórdão reconheceu episódio extraordinário que compromete renda alimentar de idoso aposentado por invalidez, afastando a tese de insignificância.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não se desincumbiu do ônus de provar que adotou medidas de segurança adequadas para evitar a fraude, nem explicou o vazamento de dados sigilosos — ônus que lhe competia pela inversão CDC.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não impugnou especificamente os fatos narrados na inicial, limitando-se à defesa de regularidade formal, o que reforçou o reconhecimento da fraude pelo juízo.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Idoso
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·fls. 26/30 — WhatsApp c/ falso preposto
  • ·fls. 36/39 — termo quitação falso
  • ·fls. 40 — transferências PIX comprovadas
  • ·fls. 238/243 — sentença procedente

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Catanduva · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Competência
Cível
Data de autuação
19 ago 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 12.758,05
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
38ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
FERNANDO SASTRE REDONDO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 12.758,05
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

Inteiro teor

Abrir em nova aba
Abrir inteiro teor

O documento abre em uma nova aba (visualização original do TJSP).