Acórdão · TJSP

1006176-09.2025.8.26.0161

ApelaçãO CíVel15ª CDPrivRel. RODOLFO PELLIZARI15 abr 2026
Falsa central de atendimentoMercantilConsignado servidorLigaçãoConsignado indevido
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Mercantil condenado por fraude de falsa central: 4 consignados simultâneos (R$10.920) + PIX (R$7.175) com perfil atípico — responsabilidade objetiva Súmula 479 + dano moral R$10.000 mantidos.

O que foi julgado

Produto bancário
Consignado servidor
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Consignado indevido
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Vítima recebeu ligação de suposta preposta do banco com dados pessoais; fraudadores contrataram quatro cartões de crédito consignados e realizaram transferência via PIX para terceiros sem autorização da consumidora

Marcadores do caso
Operacoes Em Sequencia RapidaPre Emprestimo Antes TransferenciaPix Unico Alto ValorContratacao Digital
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto PrazoSem Biometria Contratacao

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 10.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 10.000,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Fortuito Interno Fraude Terceiro

    Quatro contratos consignados contratados no mesmo dia e horário destoavam completamente do perfil da consumidora; banco não comprovou autenticidade das contratações nem apresentou monitoramento adequado, configurando falha objetiva (Súmula 479/art. 14 CDC).

    Requisitos
    Operacao AtipicaAnalise Intervalo Transacoes CurtoAnalise Sequencia Operacoes AnomalaAlerta Antifraude Nao DisparadoBo Registrado TempestivoAusencia Prova Tecnica AutorDados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Fraude Bancaria Consumidora

    Evento superou mero aborrecimento, causando angústia e prejuízo efetivo; valor de R$10.000 mantido em conformidade com precedentes da 15ª Câmara e princípios de razoabilidade e proporcionalidade.

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoOperacao Atipica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Sucumbencia Recursal

    Recurso do banco desprovido, ensejando majoração dos honorários de 10% para 15% do valor atualizado da condenação por sucumbência recursal (art. 85, §11, CPC).

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Fornecimento Senha

    Alegação de culpa exclusiva da consumidora afastada pois a fraude se concretizou por falha do sistema de segurança do banco, não pela conduta da vítima; uso de senha não exclui responsabilidade objetiva.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteSenha Validada BancoAlerta Antifraude Nao Disparado
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Reducao Dano Moral Enriquecimento Sem Causa

    Pedido de redução ou afastamento do dano moral rejeitado; valor de R$10.000 considerado adequado à gravidade da conduta, aos precedentes da câmara e ao princípio da proporcionalidade.

    Requisitos
    Bo Registrado Tempestivo

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fortuito interno relativo a fraudes de terceiros, afastando a excludente de culpa exclusiva do consumidor ou terceiro.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva do fornecedor por defeitos na prestação de serviços, independentemente de culpa, aplicada para condenar o banco pela falha no sistema de segurança.

  • Art Cpc373_II

    Transferência do ônus probatório ao banco por deter os meios técnicos das operações, impedindo que o banco se exonerasse pela simples negação sem apresentar logs ou relatórios técnicos suficientes.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que contratação ocorreu por internet banking com senha pessoal intransferível imputando culpa à consumidora; acórdão rebateu que o uso de senha não afasta a responsabilidade objetiva quando o banco falhou em identificar e bloquear operações claramente atípicas para o perfil da cliente.
  • Banco argumentou que não havia prova de vazamento de dados; acórdão transferiu o ônus probatório ao banco (art. 373, II, CPC) por deter os meios técnicos, reconhecendo que a autora não pode ser exigida a produzir prova diabólica sobre fato negativo.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não se desincumbiu do ônus de comprovar que as contratações dos empréstimos foram efetivamente realizadas pela consumidora, o que determinou a procedência da ação e manutenção da condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Servidor público
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·BO fls. 15/16 sobre empréstimos
  • ·Contratos nº 7537324-7537327 fls. 241/252
  • ·Transferência PIX fls. 59
  • ·Docs banco fls. 241/710
  • ·Crédito restituído fls. 202
  • ·Perfil transacional fls. 304/710

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Diadema · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
ANDRE PASQUALE ROCCO SCAVONE
Competência
Cível
Data de autuação
21 mai 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.920,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Empréstimo consignado
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
15ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
RODOLFO PELLIZARI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 10.920,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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