Acórdão · TJSP

1005750-72.2024.8.26.0309

ApelaçãO CíVel16ª CDPrivRel. MARCELO IELO AMARO10 fev 2026
Falsa central de atendimentoBanco do BrasilConta corrente PFLigaçãoTED
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

BB condenado (R$17.150 mat + R$5k moral) por falha no monitoramento de Pix/TED atípicos; C6 e XP absolvidos por ausência de nexo causal — útil para defesa de bancos recebedores e para atacar banco pagador.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
TED
Valor fraudado
R$ 17.150,00
Divisão da responsabilidade
Recíproca · banco maior
Descrição do golpe

Golpe do falso funcionário/falsa central de atendimento: vítima recebeu ligação de pessoa se identificando como preposto do Banco do Brasil, foi instruída a instalar programa no celular e fornecer código, ao ligar para a central foi atendida pela mesma pessoa e realizou transferências via Pix e TED que totalizaram R$ 18.600,00

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasOperacoes Em Sequencia RapidaValor Alto AtipicoDispositivo Da Vitima Usado
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 17.150,00
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 22.150,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha Monitoramento Perfil Correntista Operacoes Atipicas

    Extratos bancários demonstraram Pix sequenciais acima do limite diário e TED vultoso de conta poupança, destoando do perfil habitual; BB nada fez para bloquear, configurando defeito no serviço (art.14 CDC + Súmula 479 STJ).

    Requisitos
    Analise Valor AtipicoAnalise Intervalo Transacoes CurtoAnalise Sequencia Operacoes AnomalaAnalise Meio AtipicoOperacao AtipicaAlerta Antifraude Nao DisparadoLog Auditoria DisponivelDispositivo Da Vitima UsadoDados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente Tecnica
  • MaterialPró-bancoAcolhida
    Ausencia Nexo Causal Bancos Recebedores Abertura Conta Licita

    Abertura de contas pelos bancos recebedores foi lícita e não foi determinante para a fraude; propósito ilícito do correntista não contamina boa-fé objetiva das instituições receptoras (art.110 CC — reserva mental ilícita).

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Configurado Angustia Impotencia Fraude Bancaria

    Angústia, intranquilidade e sensação de impotência diante da fragilidade dos sistemas bancários transcendem meros aborrecimentos; R$5.000,00 mantido como adequado, razoável e proporcional.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaBo Registrado TempestivoEstorno Solicitado Tempestivo
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Banco Do Brasil

    Arguição confunde-se com o mérito; afastada porque o acórdão reconheceu a responsabilidade do BB no exame do fundo da questão.

  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Ou Terceiro Banco Do Brasil

    Mesmo que vítima tenha operado o celular sob engano, o cerne é o perfil atípico das operações que o BB deveria ter bloqueado; inexiste culpa concorrente ou exclusiva da vítima.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoOperacao Atipica
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Reducao Quantum Danos Morais Banco Do Brasil

    R$5.000,00 considerado adequado, proporcional e razoável à situação; pedido de redução improvido sem alteração do quantum sentenciado.

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central da responsabilidade objetiva do BB por fortuito interno — fraudes praticadas por terceiros no âmbito de operações bancárias; também usado para afastar responsabilidade de C6 e XP por inaplicabilidade ao banco recebedor.

  • STJ2.052.228/DF

    STJ — Rel. Min. Nancy Andrighi — fixou dever da instituição financeira de identificar e impedir movimentações que destoam do perfil do consumidor; ausência desse procedimento é defeito no serviço; citado textualmente e decisivo para condenar o BB.

  • Enunciado Tjsp14

    Enunciado 14 SDP-TJSP: na utilização do PIX, fraude por terceiros em fortuito interno gera responsabilidade quando evidenciada falha e desrespeito ao perfil do correntista; aplicado diretamente ao BB e afastado para os bancos recebedores.

Contrapontos rebatidos

  • BB alegou que vítima forneceu senha e instalou programa; acórdão rejeitou por entender que, mesmo hipoteticamente operado pelo próprio autor, o cerne é a atipicidade das operações que o BB deveria ter bloqueado preventivamente.
  • BB afirmou que operações foram realizadas via autoatendimento com senha de 8 e 6 dígitos; acórdão rejeitou porque autenticação não supre o dever de monitorar compatibilidade com o perfil habitual do correntista.
  • Autor pretendia condenação solidária de C6 e XP; acórdão afastou porque abertura de contas foi lícita e o propósito fraudulento do terceiro não contamina boa-fé objetiva das instituições receptoras (art.110 CC).

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    BB não demonstrou que operações se encaixavam no perfil do autor nem comprovou excludente de responsabilidade (art.14 §3 CDC); limitou-se a alegar autenticação por senha, o que foi insuficiente para afastar a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·extratos bancários fls. 29/30 e 31/35
  • ·extratos BB fls. 322/402
  • ·boletim de ocorrência
  • ·contestação interna perante o réu
  • ·reclamação perante o Procon
  • ·embargos de declaração XP fl. 485

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Jundiaí · 6ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
MARIA CLAUDIA MOUTINHO RIBEIRO
Competência
Cível
Data de autuação
19 mar 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 27.150,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
16ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
MARCELO IELO AMARO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 27.150,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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