Acórdão · TJSP

1004562-49.2024.8.26.0663

ApelaçãO CíVel12ª CDPrivRel. ALEXANDRE DAVID MALFATTI5 fev 2026
Falsa central de atendimentoSantanderConta corrente PFLigaçãoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Santander condenado por falsa central de atendimento: PIX sequenciais atípicos (R$26.705,71) + inclusão em cadastro de devedores = fortuito interno; restituição + R$5k moral + honorários 15%.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 26.705,71
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Vítima recebeu ligação de pessoa que se identificou como gerente do banco, iniciando atendimento via WhatsApp que resultou em empréstimo fraudulento (cancelado) e diversas transferências via PIX consumindo saldo e cheque especial.

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoOperacoes Em Sequencia RapidaPre Emprestimo Antes Transferencia
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto PrazoKyc Deficiente Conta Destino

Resultado

Dano material
R$ 26.705,71
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 31.705,71

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha Monitoramento Transacoes Atipicas Pix Sequencial

    Banco não bloqueou transações PIX sequenciais em dois dias que destoavam flagrantemente do perfil financeiro do correntista, configurando defeito do serviço e fortuito interno pela Súmula 479 STJ.

    Requisitos
    Analise Valor AtipicoAnalise Intervalo Transacoes CurtoAnalise Sequencia Operacoes AnomalaOperacao AtipicaAlerta Antifraude Nao DisparadoPre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio Completo
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Inscricao Cadastro Devedores Falha Seguranca

    Dano moral in re ipsa reconhecido pela inclusão do nome do autor em cadastros de devedores em decorrência da fraude, agravado pelo atendimento inadequado e pela postura processual do banco.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaOutro
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Sucumbencia Recursal

    Sucumbência recursal total do banco ensejou majoração dos honorários de 10% para 15% do proveito econômico, conforme art. 85 §11 CPC.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Engodo

    Tese rejeitada porque o tribunal qualificou a fraude como fortuito interno: o fraudador explorou fragilidade do sistema de segurança do banco (vazamento de dados da central telefônica), não havendo fortuito externo que rompesse o nexo causal.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo ProvadoAto Terceiro Identificado
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Inocorrencia Dano Moral Indenizavel

    Rejeitado porque a inscrição em cadastros de devedores decorrente da fraude e o atendimento inadequado ultrapassam o mero aborrecimento, configurando dano moral in re ipsa.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Banco

    Preliminar afastada porque a relação de consumo entre o autor e o banco réu é incontroversa, sendo o banco prestador do serviço defeituoso.

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central que impôs responsabilidade objetiva do banco pelo fortuito interno, afastando a tese de fortuito externo e culpa exclusiva do consumidor.

  • STJ2222059/SP

    Definiu os 5 fatores de monitoramento antifraude exigíveis (valor, horário, intervalo, sequência, meio) e consagrou que validar operações atípicas configura defeito do serviço, aplicado diretamente aos fatos do caso.

  • Art Cdc14

    Base legal do fato do serviço: permitir acesso de criminosos aos dados do cliente e não bloquear transações suspeitas caracteriza defeito na prestação, gerando responsabilidade objetiva independente de culpa.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou phishing sem qualquer prova; acórdão rejeitou por ausência de comprovação, mantendo a narrativa de vazamento interno como causa determinante do golpe.
  • Banco invocou fortuito externo e culpa do autor por ter fornecido dados; acórdão afastou porque o fraudador se aproveitou da fragilidade sistêmica do banco, não de conduta exclusiva do consumidor.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    O banco não demonstrou que as transações sequenciais de alto valor condiziam com o perfil financeiro do correntista, ônus que lhe cabia exclusivamente diante da hipossuficiência técnica do consumidor e da inversão do ônus da prova (art. 6º VIII CDC).

  • Aproveitou: Pró-banco

    Banco não comprovou ausência de falha no sistema de segurança nem que adotou medidas de bloqueio cautelar após notícia da fraude, ônus decisivo que pesou na manutenção da condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·extratos e comprovantes fls. 72/76
  • ·fl. 73 – empréstimo cancelado
  • ·fl. 43 – encargos moratórios
  • ·fl. 32 – cadastros de devedores

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Votorantim · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
LAIS CHRISTINA ARAKI CUNHA
Competência
Cível
Data de autuação
5 set 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 36.705,71
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Práticas Abusivas
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
12ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ALEXANDRE DAVID MALFATTI
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 36.705,71
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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