Acórdão · TJSP

1004065-34.2025.8.26.0361

ApelaçãO CíVel17ª CDPrivRel. AFONSO BRÁZ3 mar 2026
Invasão de conta / empréstimos fraudulentosMercantilConta corrente PFDigital (não especificado)PIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Mercantil perde: aposentada (R$1.412/mês) vitimada por PIX fraudulentos nunca realizados em 9 anos de conta; banco não comprovou validação de senha/dispositivo — Súmula 479 STJ aplicada, R$8.946,61 de condenação total.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 2.946,61
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Terceiros acessaram o aplicativo bancário da vítima e realizaram transferências via PIX não autorizadas, inclusive utilizando limite de cheque especial, com abertura de conta em nome da vítima em instituição terceira (CELCOIN) para recebimento dos valores

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssPix Unico Alto ValorDispositivo Da Vitima UsadoRecurso Financeiro Alimentar Comprometido
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteKyc Deficiente Conta Destino

Resultado

Dano material
R$ 2.946,61
Dano moral
R$ 6.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 8.946,61

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitada
    Responsabilidade Objetiva Fortuito Interno Pix

    Banco não comprovou validação de senha nem dispositivo cadastrado pela titular, e perfil da correntista (9 anos sem PIX) evidenciava operação atípica não bloqueada — tese do banco rejeitada, consumidor venceu.

    Requisitos
    Senha Validada BancoDispositivo ReconhecidoLog Auditoria DisponivelOperacao AtipicaAnalise Sequencia Operacoes AnomalaAlerta Antifraude Nao DisparadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Compartilhou Senha

    Banco não produziu prova de que a autora compartilhou dados; cadastro de dispositivo por fraudador não exonera responsabilidade objetiva — excludente afastada.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Dano Moral Aposentada Privacao Beneficio Previdenciario

    Dano moral in re ipsa configurado diante da privação parcial do benefício previdenciário (R$1.412) e uso não autorizado de cheque especial — redução para R$2.000 negada, R$6.000 mantido.

    Requisitos
    Operacao AtipicaHipossuficiente Tecnica
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Reducao Dano Moral Para 2000

    Câmara entendeu que R$6.000 está aquém dos valores arbitrados em casos análogos pela 17ª Câmara, inviabilizando a redução pleiteada.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Rejeitada Relacao Juridica Incontroversa

    Relação jurídica entre banco e correntista é incontroversa; irrelevante que os valores tenham sido destinados à conta na CELCOIN — preliminar afastada de plano.

    Requisitos
    Falha Kyc Intermediario

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para afastar excludente de responsabilidade do banco e impor responsabilidade objetiva por fortuito interno nas transferências PIX fraudulentas.

  • Art Cpc373_II

    Atribuiu ao banco o ônus de provar regularidade das transações contestadas; banco não se desincumbiu, o que determinou o resultado desfavorável.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva do fornecedor de serviços, afastando a excludente do §3º II mesmo diante de alegação de culpa de terceiro.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou ser parte ilegítima porque os PIX foram para conta na CELCOIN; acórdão rebateu afirmando que a relação jurídica é incontroversa e as operações partiram da conta mantida no próprio banco réu.
  • Banco apresentou LOGs e extratos para provar regularidade; acórdão rejeitou por serem insuficientes sem prova de que dispositivo e senha foram usados pela própria correntista — cadastro por fraudador não exonera responsabilidade.
  • Banco invocou culpa exclusiva da vítima/terceiro (art. 14 §3º II CDC); acórdão afastou com base na responsabilidade objetiva e perfil atípico da correntista que nunca realizou PIX em 9 anos.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco tinha ônus de provar que as operações foram efetivadas com senha e dispositivo cadastrados pela própria correntista, e não o fez — LOGs e extratos apresentados foram insuficientes sem esses elementos.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Idade avançada
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·transferências PIX fls. 21
  • ·extratos fls. 158/311 pelo banco
  • ·benefício INSS fls. 17/18
  • ·nega conta CELCOIN fls. 332

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Mogi das Cruzes · 4ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
MARIO HENRIQUE GEBRAN SCHIRMER
Competência
Cível
Data de autuação
10 mar 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 8.946,61
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
17ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
AFONSO BRÁZ
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 8.946,61
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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