Acórdão · TJSP

1003856-68.2023.8.26.0609

ApelaçãO CíVelNJ4.0 T.V DP2Rel. INAH DE LEMOS E SILVA MACHADO18 mar 2026
Falsa central de atendimentoConta corrente PJWhatsAppTransferência interna
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

PJ vítima de falsa consultora via WhatsApp (link fraudulento + 9 transferências em 3 dias); TJSP reconhece culpa concorrente 50/50 — banco falhou em não detectar movimentação atípica, mas autora contribuiu ao seguir orientações suspeitas.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PJ
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Transferência interna
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
Concorrente 50/50
Descrição do golpe

Golpe do falso funcionário ou falsa central de atendimento: fraudador contactou via WhatsApp se passando por consultora do banco, enviou link para suposta atualização do aplicativo bancário e orientou manter app inativo, obtendo acesso à conta e realizando 9 transferências

Marcadores do caso
Vitima Pj MicroMultiplas Transferencias EscalonadasDispositivo Da Vitima UsadoOutro Marcador
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 132.556,50
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado
R$ 132.556,50

Teses

  • ★ principalMaterialParcialParcial
    Culpa Concorrente Falsa Central Whatsapp

    Reconhecida culpa concorrente 50/50: autora acessou link suspeito e manteve app inativo, mas banco não detectou 9 transferências atípicas sem histórico similar nos 12 meses anteriores.

    Requisitos
    Operacao AtipicaAlerta Antifraude Nao DisparadoDispositivo Da Vitima UsadoDados Fornecidos VoluntariamenteOperacao No Perfil VitimaCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica Autor
  • ProcessualPró-consumidorAcolhida
    Aditamento Peticao Inicial Consentimento Tacito

    Réu foi intimado para manifestar-se sobre aditamento e não discordou expressamente, configurando consentimento tácito e preclusão — base de cálculo ampliada para R$ 265.113,00.

    Requisitos
    Outro
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Link

    Rejeitada porque, embora a autora tenha acessado link fraudulento, o banco não demonstrou conduta diligente ao deixar passar 9 transferências atípicas sem histórico precedente.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao Atipica
  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Condenacao Integral Sem Culpa Concorrente

    Rejeitada porque a conduta da autora (acesso ao link, manutenção do app inativo) foi determinante para o golpe, afastando a responsabilidade integral do banco.

    Requisitos
    Operacao AtipicaDados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art CdcSumula_479_STJ_aplicacao_analogica

    A responsabilidade objetiva da instituição financeira foi temperada pelo reconhecimento de culpa concorrente, afastando a condenação integral pretendida pela autora com base na falha de serviço.

  • Art Cpc85_§2

    Fundamentou a fixação de honorários em 10% sobre o valor da condenação para o réu e 10% sobre a diferença entre o pedido e a condenação para a autora, após redistribuição da sucumbência.

  • Art Cc405

    Fixou o termo inicial dos juros moratórios de 1% ao mês a partir da citação, compondo o cálculo da condenação de R$ 132.556,50.

Contrapontos rebatidos

  • Autora alegou vazamento de dados sigilosos, mas o acórdão expressamente reconhece que não trouxe indício mínimo de falha de segurança — a negligência foi da própria autora ao acessar o link.
  • Banco alegou que ausência de manifestação não equivale a consentimento tácito, mas o acórdão reconhece que intimado por decisão e silente, operou-se a preclusão configurando o consentimento.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco não comprovou conduta diligente ao deixar de detectar 9 transferências atípicas em 3 dias sem histórico similar nos 12 meses anteriores, o que afastou a excludente de culpa exclusiva do consumidor.

  • Aproveitou: Pró-banco

    A autora alegou vazamento de dados sigilosos mas não trouxe qualquer indício mínimo probatório dessa falha, o que contribuiu para o reconhecimento da culpa concorrente em desfavor da condenação integral.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
PJ micro/pequena
Vulnerabilidade
Pessoa jurídica
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·boletim de ocorrência (fls. 70)
  • ·mensagens trocadas com fraudador (fls. 37/40)
  • ·contato inicial com o réu após o fato (fls. 47/69)
  • ·extratos de movimentação bancária (fls. 177/178)
  • ·manifestação do réu sobre aditamento (fls. 191)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Taboão da Serra · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
RAFAEL RAUCH
Competência
Cível
Data de autuação
25 abr 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 155.190,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. V (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
INAH DE LEMOS E SILVA MACHADO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 155.190,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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