Acórdão · TJSP

1003388-88.2025.8.26.0236

ApelaçãO CíVel18ª CDPrivRel. HENRIQUE RODRIGUERO CLAVISIO10 mar 2026
Falsa central de atendimentoBradescoApp digitalWhatsAppPIX
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe falsa premiação Viva Sorte: biometria facial + dispositivo habitual + senha validada afastam Súmula 479/STJ; improcedência total mantida por fortuito externo e culpa exclusiva da vítima — caso forte para defesa bancária.

O que foi julgado

Produto bancário
App digital
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe da falsa premiação: vítima recebeu contato telefônico e mensagens de indivíduos se passando por representantes do 'Viva Sorte', induzindo-a a crer que havia sido contemplada com prêmio e solicitando realização de procedimentos bancários de 'validação' que na verdade autorizavam transferências PIX e contratação de empréstimo.

Marcadores do caso
Dispositivo Da Vitima UsadoMultiplas Transferencias EscalonadasPre Emprestimo Antes TransferenciaContratacao Digital

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

culpa_exclusiva_vitima_fortuito_externo

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Culpa Exclusiva Vitima Golpe Falsa Premiacao

    Autora validou operações com biometria facial, usou dispositivo habitual e forneceu senhas aos golpistas, configurando culpa exclusiva que rompe nexo causal e afasta responsabilidade objetiva das instituições.

    Requisitos
    Biometria ValidadaDispositivo ReconhecidoSenha Validada BancoDados Fornecidos VoluntariamenteOperacao AtipicaLog Auditoria Disponivel
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Recursais Art85 P11

    Majoração de 10% para 11% dos honorários advocatícios recursais aplicada automaticamente pelo desprovimento do recurso, nos termos do art. 85, §11, CPC.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Sumula 479 Stj Inaplicavel

    Súmula 479/STJ afastada porque há fortuito externo (culpa exclusiva da vítima), não fortuito interno; ausência de defeito nos sistemas de segurança das instituições.

    Requisitos
    Biometria ValidadaDispositivo ReconhecidoDados Fornecidos Voluntariamente
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Dano Moral Golpe Financeiro Rejeitado

    Dano moral rejeitado por ausência de defeito na prestação do serviço e ausência de prova do abalo moral alegado; improcedência decorrente da culpa exclusiva da vítima.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Restituicao Valores Pix E Declaracao Inexistencia Emprestimo

    Pedido de restituição de valores PIX e declaração de inexistência do empréstimo rejeitados porque as operações foram validadas pela própria autora, afastando o dever de indenizar das instituições.

    Requisitos
    Biometria ValidadaDispositivo ReconhecidoDados Fornecidos Voluntariamente

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14_§3_II

    Excludente de responsabilidade por culpa exclusiva da vítima e de terceiro aplicada para afastar nexo causal e responsabilidade objetiva de todas as instituições financeiras.

  • STJ1.178.454/PR

    STJ firmou que fortuito externo afasta responsabilidade objetiva de instituição financeira; aplicado para confirmar inaplicabilidade da Súmula 479 no caso concreto.

  • Art Cc403

    Teoria do dano direto e imediato exigiu nexo causal direto entre conduta das rés e resultado danoso; ausente esse nexo por interposição da conduta da vítima, afastou-se a obrigação de reparar.

Contrapontos rebatidos

  • Autora alegou que os bancos deveriam ter sistemas para bloquear operações atípicas; banco rebateu com logs de auditoria demonstrando biometria facial validada, dispositivo habitual (IP e Device ID reconhecidos há 8+ meses) e senha inserida corretamente — ausência de qualquer falha de segurança.
  • Autora invocou Súmula 479/STJ para impor responsabilidade objetiva; acórdão afastou a súmula por caracterizar fortuito externo (não interno), pois o golpe dependeu inteiramente da participação ativa da vítima que forneceu senhas e validou com biometria.
  • Autora apontou falha no KYC da Will Bank por não apresentar documentos de abertura de contas; acórdão reconheceu que mesmo eventual falha de KYC é superada pela culpa exclusiva da vítima na origem das transferências, rompendo o nexo causal também em relação ao banco recebedor.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autora não demonstrou falha nos mecanismos de segurança das instituições financeiras; o acórdão expressamente afastou a inversão do ônus probatório por ausência de hipossuficiência técnica ou verossimilhança das alegações, e o conjunto probatório demonstrou o contrário.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·biometria facial fls. 197 Nu Pagamentos
  • ·Device ID e IP habitual fls. 238
  • ·autenticação chave Bradesco fls. 352
  • ·resposta MED Will Bank fls. 367
  • ·WhatsApp Viva Sorte fls. 14 e 47/48
  • ·sentença improcedência fls. 480/488
  • ·contrarrazões fls. 532/535, 536/549, 556/561

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Ibitinga · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
HENRIQUE VASCONCELOS LOVISON
Competência
Cível
Data de autuação
22 ago 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 42.917,97
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
18ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
HENRIQUE RODRIGUERO CLAVISIO
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 42.917,97
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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