Acórdão · TJSP

1002584-93.2024.8.26.0127

ApelaçãO CíVel19ª CDPrivRel. SIDNEY BRAGA11 fev 2026
Phishing (email/SMS)Banco do BrasilConta corrente PFSMSTED
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco do Brasil responde objetivamente por phishing/smishing (R$49k) sofrido por aposentado deficiente visual hipervulnerável; dano moral afastado por sofrimento imputável a terceiro; sucumbência recíproca — precedente útil para defesa em casos sem negativação.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
SMS
Instrumento de perda
TED
Valor fraudado
R$ 49.277,74
Divisão da responsabilidade
Recíproca · banco maior
Descrição do golpe

Phishing via SMS (smishing): autor recebeu mensagem SMS falsa do Banco do Brasil sobre expiração de pontos de fidelidade com link malicioso, clicou no link de site falso e teve seus dados bancários capturados, resultando em movimentações fraudulentas na conta.

Marcadores do caso
Vitima Aposentado InssDispositivo Da Vitima UsadoMultiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoOperacoes Em Sequencia RapidaOutro Marcador
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
Dano moral
R$ 0,00
Afastado Mero Aborrecimento
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

sofrimento_causado_por_terceiro_de_ma_fe_banco_tambem_vitima

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Phishing Hipervulnerabilidade

    Hipervulnerabilidade do deficiente visual aposentado afastou culpa concorrente; banco não demonstrou monitoramento de perfil nem bloqueio de operações atípicas de elevado valor em curto prazo.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaAnalise Valor AtipicoAnalise Intervalo Transacoes CurtoAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaDados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima Usado
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Dano Moral Afastado Sofrimento Causado Por Terceiro

    Dano moral afastado pois sofrimento decorreu de ação criminosa de terceiro, não do banco; ausência de negativação ou consequência além do mero aborrecimento; banco também vítima do fraudador.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoBo Registrado Tempestivo
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Sucumbencia Reciproca 50 50 Custas Honorarios

    Provimento parcial do recurso do banco (afastamento do dano moral) gerou sucumbência recíproca, repartindo custas e honorários entre as partes.

  • IntegralPró-consumidorRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Acesso Link Falso

    Culpa exclusiva rejeitada pois hipervulnerabilidade do deficiente visual aposentado afasta rompimento do nexo causal; clicar em link falso não configura culpa exclusiva apta a exonerar o banco.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaDados Fornecidos Voluntariamente
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Banco

    Ilegitimidade passiva rejeitada: responsabilidade objetiva do CDC art. 14 independe de participação direta do banco; fraude por terceiro configura fortuito interno, não externo.

    Requisitos
    Ato Terceiro Identificado
  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Ausencia Dano Material Comprovado

    Extratos bancários comprovaram movimentação fraudulenta; banco não afastou excludentes do art. 14 §3º CDC nem demonstrou regularidade das transações pelo perfil do correntista.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorLog Auditoria Disponivel

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para responsabilidade objetiva do banco por fraude de terceiro como fortuito interno, aplicado diretamente para manter condenação em danos materiais.

  • TJSP1003374-28.2025.8.26.0229

    Precedente da mesma 19ª Câmara (Rel. Ricardo Pessoa de Mello Belli) citado para afastar dano moral em golpe bancário, pois sofrimento imputável a terceiro criminoso, não ao banco — decisivo para reforma parcial da sentença.

  • STJ2.052.228/DF

    STJ (Min. Nancy Andrighi): banco deve identificar e impedir movimentações atípicas que destoam do perfil do consumidor; hipervulnerabilidade reforça responsabilidade — fundamentou manutenção da condenação material.

Contrapontos rebatidos

  • Embora reconhecida falha no monitoramento (responsabilidade material mantida), o acórdão separou a origem do sofrimento psíquico: este decorreu do terceiro criminoso, não do banco, afastando o dano moral.
  • Banco argumentou culpa exclusiva da vítima por clicar em link falso; acórdão rebateu com hipervulnerabilidade comprovada (deficiente visual, aposentado, usa irmã como auxiliar), afastando qualquer culpa concorrente.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não se desincumbiu do ônus de demonstrar que as transações de elevado valor em curto período se enquadravam no perfil do correntista, o que manteve a responsabilidade objetiva integral pelo dano material.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Adulto
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·extrato de fl. 30
  • ·mensagem SMS com link app-bb-online.info (fl. 03)
  • ·procuração por impressão digital
  • ·devolução parcial via TED

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Carapicuíba · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
BRUNO CORTINA CAMPOPIANO
Competência
Cível
Data de autuação
14 mar 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 59.277,74
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
19ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
SIDNEY BRAGA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 59.277,74
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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