Acórdão · TJSP

1001762-16.2024.8.26.0609

Invasão de conta / empréstimos fraudulentosApp digitalDigital (não especificado)PIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

N26 condenada por falha em segurança de app digital: PIX não autorizados (R$240) + dano moral (R$3k); banco não provou regularidade das operações sequenciais sem histórico ao destinatário — Rel. Vidal, 14ª Câmara TJSP.

O que foi julgado

Produto bancário
App digital
Canal da fraude
Digital (não especificado)
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 240,00
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Invasão da conta bancária digital (aplicativo N26) por terceiros fraudadores, com realização de transferências via PIX não reconhecidas pelo titular da conta

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasOperacoes Em Sequencia RapidaDispositivo Da Vitima Usado
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto Prazo

Resultado

Dano material
R$ 240,00
Dano moral
R$ 3.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 3.240,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha SegurançA App Invasao Conta Pix

    Banco não comprovou eficácia dos dispositivos de segurança nem compatibilidade das operações PIX sequenciais com o perfil do cliente, configurando falha objetiva do serviço.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaAnalise Sequencia Operacoes AnomalaAnalise Intervalo Transacoes CurtoCombo Probatorio CompletoAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Invasao Conta Bancaria

    Dano moral reconhecido in re ipsa pela invasão da conta e realização de transações não autorizadas; valor de R$3.000 mantido em linha com casos análogos da 14ª Câmara.

    Requisitos
    Operacao Atipica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Sucumbencia Recursal

    Improvimento total do recurso da ré gerou majoração dos honorários de 15% para 20% por força do art. 85 §11 CPC.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Uso Senha

    Alegação de culpa exclusiva do consumidor rejeitada pois banco não demonstrou concretamente a regularidade das operações; ônus probatório era do réu e não foi cumprido.

    Requisitos
    Senha Validada BancoDados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Perfil Movimentacao Elevada Afasta Bloqueio

    Tese de perfil de movimentação elevada rejeitada porque operações ocorreram em sequência em dias consecutivos sem histórico de transferências ao mesmo destinatário, indicando fraude incompatível com o perfil.

    Requisitos
    Operacao No Perfil VitimaAnalise Sequencia Operacoes AnomalaLog Auditoria Disponivel

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento principal da responsabilidade objetiva da instituição financeira por fraude de terceiro no âmbito de operações bancárias digitais.

  • STJ2.052.228-DF

    Fixou o dever da instituição financeira de verificar regularidade e idoneidade das transações e desenvolver mecanismos anti-fraude, incluindo análise de sequência de operações em curto intervalo — aplicado diretamente ao caso.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva pelo defeito na prestação do serviço bancário digital, combinado com a Súmula 479 STJ.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou que operações foram realizadas mediante senha pessoal intransferível, tentando excluir responsabilidade; acórdão rejeitou por não haver prova de que o próprio consumidor realizou as operações ou as autorizou.
  • Banco sustentou que o apelado possuía perfil de movimentação elevada e frequente, impedindo atribuir-lhe responsabilidade pelo não bloqueio; acórdão afastou pois operações sequenciais para destinatário sem histórico indicavam fraude detectável.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    O banco réu não logrou demonstrar a concreta regularidade das operações PIX impugnadas nem a eficácia dos dispositivos de segurança, ônus que lhe cabia por força do art. 6º VIII CDC e art. 373 II CPC, o que foi decisivo para o reconhecimento da responsabilidade.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·extratos bancários (págs. 57/58)
  • ·sentença (págs. 98/105)
  • ·apelação da ré (págs. 109/115)
  • ·contrarrazões (págs. 122/126)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Taboão da Serra · 3ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Luiz Henrique Lorey
Competência
Cível
Data de autuação
28 fev 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 5.240,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
14ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
LUIS FERNANDO CAMARGO DE BARROS VIDAL
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 5.240,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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