Acórdão · TJSP

1001357-79.2025.8.26.0597

ApelaçãO CíVel21ª CDPrivRel. DÉCIO RODRIGUES23 mar 2026
Falsa central de atendimentoConta corrente PJLigaçãoBoleto pago
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

SICOOB COCRED condenado a restituir R$59.301 + R$5.000 dano moral por fraude via página clonada e acesso remoto simultâneo em PJ; antifraude falhou ao não bloquear boletos 10x acima do limite diário — precedente útil para consumidor, desafiável via divergência sobre dano moral PJ.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PJ
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
Boleto pago
Valor fraudado
R$ 59.301,00
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Terceiro se passou por assistente do gerente, demonstrou conhecimento de dados sigilosos das vítimas (saldos, limites, nome do gerente) e as induziu a baixar aplicativo em página clonada, criando novo acesso ao internet banking e desviando R$ 59.301,00 via pagamento de boletos

Marcadores do caso
Vitima Pj MicroDispositivo De Terceiro UsadoOperacoes Em Sequencia RapidaValor Alto AtipicoGeolocalizacao Inconsistente
Sinais de alerta
Antifraude FalhouMonitoramento DeficienteMultiplas Operacoes Curto PrazoAcesso Remoto Aceito

Resultado

Dano material
R$ 59.301,00
Dano moral
R$ 5.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 64.301,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Fraude Terceiro Responsabilidade Objetiva

    Acórdão aplicou Súmula 479 STJ e art. 14 CDC: fraude via página clonada com acesso simultâneo de dispositivo distinto e boletos excedendo limite diário é fortuito interno que não exclui responsabilidade objetiva do banco.

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoAnalise Valor AtipicoAnalise Sequencia Operacoes AnomalaAnalise Local Geolocalizacao InconsistenteDispositivo ReconhecidoHipossuficiente TecnicaAusencia Prova Tecnica Autor
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral Pj Honra Objetiva Fraude Bancaria

    Súmula 227 STJ aplicada: fraude com movimentação indevida de valores significativos causou abalo à credibilidade e reputação da PJ perante fornecedores, dispensando prova objetiva do abalo.

    Requisitos
    Analise Valor AtipicoHipossuficiente Tecnica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Art85 Par11 Cpc

    Honorários majorados de 10% para 15% sobre o valor da condenação pelo trabalho adicional em grau recursal, com fundamento no art. 85 §11 CPC, ante o improvimento do recurso.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Vitima Engenharia Social

    Tese rejeitada porque banco não comprovou que o golpista não acessou o sistema via página clonada nem que não detinha previamente informações sigilosas das vítimas; falha do antifraude afasta culpa exclusiva do consumidor.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Atuacao De Terceiro Como Fortuito Externo

    Banco não comprovou inexistência de vazamento de dados sigilosos nem justificou falha do antifraude ao não bloquear movimentação atípica de R$59.301 excedendo limite diário; fortuito externo afastado.

    Requisitos
    Combo Probatorio CompletoLog Auditoria DisponivelAlerta Antifraude Nao Disparado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central: responsabilidade objetiva da cooperativa financeira por fortuito interno relativo a fraudes de terceiros em operações bancárias, afastando todas as excludentes arguidas pelo banco.

  • Art Cdc14

    Base normativa da responsabilidade objetiva do fornecedor; banco só se exoneraria com prova de culpa exclusiva do consumidor (§3º II), ônus do qual não se desincumbiu.

  • TJSP1002093-02.2023.8.26.0037

    Precedente análogo SICOOB com operações fora do perfil citado na sentença ratificada; afastou culpa concorrente e impôs ressarcimento integral, reforçando a tese de responsabilidade total.

Contrapontos rebatidos

  • Autoras alegaram que o fraudador conhecia saldos exatos, nome do gerente e procedimentos internos; banco não se desincumbiu do ônus de provar que as informações sigilosas não foram vazadas do seu sistema.
  • Autoras apontaram que R$59.301 excedia significativamente o limite diário de R$5.000; banco não justificou a ausência de bloqueio ou alerta para sequência atípica de boletos ao Mercado Pago.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não provou que o golpista não acessou seu sistema via página clonada nem que não havia vazamento de dados sigilosos (saldos, nome do gerente), ônus que pesou decisivamente para afastar o fortuito externo.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não justificou a falha do sistema antifraude em não bloquear boletos de R$59.301 excedendo o limite diário de R$5.000, configurando descumprimento do dever de segurança.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
PJ micro/pequena
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·fls. 1/14 — inicial + docs
  • ·fls. 68/98 — contestação
  • ·fls. 152/157 — réplica

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Sertãozinho · 1ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
ANA CAROLINA ALEIXO CASCALDI MARCELINO GOMES CUNHA
Competência
Cível
Data de autuação
26 fev 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 71.163,73
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Defeito, nulidade ou anulação
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
21ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
DÉCIO RODRIGUES
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 71.163,73
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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