Acórdão · TJSP

1000952-91.2025.8.26.0484

Boleto fraudulentoFinanciamentoWhatsAppBoleto pago
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco Safra isento: autor entregou token via WhatsApp e pagou boleto com beneficiário diverso (Mercado Pago, R$41.972), configurando fortuito externo clássico que rompe nexo causal — precedente reutilizável da 13ª Câmara TJSP.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Financiamento
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Boleto pago
Valor fraudado
R$ 41.972,45
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe do falso boleto: fraudador contatou a vítima via WhatsApp se passando por canal de atendimento do banco, obteve token de acesso fornecido voluntariamente pela vítima, e enviou boleto fraudulento para quitação de financiamento de veículo, com beneficiário diverso (Mercado Pago).

Marcadores do caso
Token EntreguePix Unico Alto ValorValor Alto Atipico

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

fortuito_externo_culpa_consumidor_e_terceiro

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Fortuito Externo Token Fornecido Voluntariamente

    Autor forneceu CPF e token via WhatsApp a fraudadores e pagou boleto com beneficiário diverso, rompendo nexo causal por fortuito externo nos termos do art. 14, §3º, II, CDC.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteToken Digital ConfirmadoOperacao AtipicaAusencia Prova Tecnica AutorBo Registrado Tempestivo
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Rejeicao Preliminar Ausencia Impugnacao Especifica

    Preliminar de não conhecimento suscitada pelo banco em contrarrazões foi rejeitada pois o apelante impugnou os fundamentos da sentença, ainda que reiterando argumentos anteriores.

  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Art85 Par11

    Recurso desprovido ensejou majoração dos honorários para 12% sobre o valor da causa atualizado, conforme art. 85, §11, CPC.

  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Vazamento Dados Internos Banco Lgpd

    Tese de vazamento interno rejeitada por ausência de prova mínima; cronologia indica que dados foram obtidos após fornecimento do token, não por falha prévia do banco.

    Requisitos
    Ausencia Prova Tecnica AutorDados Fornecidos Voluntariamente
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Sumula 479 Responsabilidade Objetiva Fraude Bancaria

    Súmula 479 STJ afastada porque fortuito externo (culpa do consumidor e de terceiro) rompe o nexo causal, tornando inaplicável a responsabilidade objetiva automática.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo Provado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14 §3º II

    Fundamento central da exclusão de responsabilidade: culpa exclusiva do consumidor ao fornecer token e pagar boleto com beneficiário diverso rompe nexo causal.

  • TJSP1002266-18.2020.8.26.0106

    Precedente da própria 13ª Câmara (Rel. Nelson Jorge Júnior, j. 13/12/2023) aplicado diretamente: golpe do boleto falso, nexo rompido por culpa exclusiva do consumidor e terceiros, art. 14 §3º II CDC.

  • TJSP1040401-52.2022.8.26.0002

    Segundo precedente da 13ª Câmara (Rel. Márcio Teixeira Laranjo, j. 18/03/2024): pagamento por boleto falso emitido fora do ambiente bancário oficial, fortuito interno não caracterizado, exclusão de responsabilidade.

Contrapontos rebatidos

  • Autor alegou que fraudadores já tinham dados contratuais detalhados, sugerindo vazamento interno; acórdão rebateu demonstrando que o acesso ocorreu após o fornecimento voluntário do token, e não antes.
  • O próprio boletim de ocorrência juntado pelo autor descreve dinâmica parcialmente diversa da narrada na inicial (contato telefônico anterior), enfraquecendo a tese de que só o banco poderia conhecer os dados.
  • Autor invocou Súmula 479 STJ para responsabilidade objetiva; banco rebateu com art. 14, §3º, II, CDC — excludente por culpa exclusiva do consumidor e de terceiro afasta a incidência da súmula.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Autor não produziu prova mínima de que o vazamento de dados partiu do banco, inviabilizando a inversão do ônus probatório e afastando a verossimilhança da alegação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·boleto fraudulento (fls.19)
  • ·comprovante de pagamento (fls.20-21)
  • ·recortes de tela WhatsApp (fls.22-26)
  • ·boletim de ocorrência (fls.27-28)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Promissão · 1ª Vara Judicial
Colegiado
Relator / Juiz
BRUNO DA ROCHA MONTENEGRO
Competência
Cível
Data de autuação
22 abr 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 51.972,45
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Moral
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
13ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ANA DE LOURDES COUTINHO SILVA DA FONSECA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 51.972,45
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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