Acórdão · TJSP

1167220-60.2024.8.26.0100

Falsa central de atendimentoNubankApp digitalEmailPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

TJSP 13ª Câmara mantém condenação da PagSeguro por falha de KYC em conta destinatária de Pix fraudulento (falsa central): banco não juntou nenhum documento sobre abertura da conta, ônus que lhe cabia — culpa concorrente da vítima reduz ressarcimento à metade.

O que foi julgado

Produto bancário
App digital
Canal da fraude
Email
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
Concorrente 50/50
Descrição do golpe

Vítima recebeu e-mail supostamente do banco informando operação suspeita e foi instruída a ligar para número 0800, durante a ligação realizou diversas transações via Pix para terceiros (golpe de falsa central de atendimento/phishing combinado)

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasDispositivo Da Vitima Usado
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Falha Kyc Abertura Conta Destinataria

    PagSeguro não apresentou nenhum documento comprovando regularidade do KYC na abertura das contas destinatárias, ônus que lhe cabia, configurando falha no serviço nos termos dos REsp 2.124.423/SP e 2.222.137/SP.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoLog Auditoria DisponivelDados Fornecidos Voluntariamente
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Rejeicao Ilegitimidade Passiva Teoria Assercao

    Teoria da asserção: legitimidade passiva aferida pela narrativa inicial, bastando a imputação de falha na abertura de conta pelo estelionatário — REsp 1.834.003/SP.

    Requisitos
    Outro
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Desprovimento Recurso

    Recurso desprovido impõe majoração automática dos honorários sucumbenciais para 12% do valor da condenação; pedido subsidiário sobre base de cálculo não conhecido por ausência de interesse recursal.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Desidia Vitima Golpe Engenharia Social

    Argumento de desídia da vítima (phishing) rejeitado como excludente de responsabilidade da PagSeguro, pois a falha de KYC é autônoma e independente da conduta da vítima; desídia apenas gerou culpa concorrente reduzindo indenização à metade.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteFalha Kyc Intermediario
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Pagseguro

    Preliminar de ilegitimidade passiva rejeitada pela teoria da asserção — imputação de falha na abertura de conta é suficiente para atrair a legitimidade passiva independentemente do mérito.

    Requisitos
    Outro

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • STJ2.124.423/SP

    Consolidou que banco digital deve comprovar cumprimento do dever de verificar e validar identidade dos titulares; não comprovado, configura falha no serviço — fundamento central da condenação da PagSeguro.

  • STJ2.222.137/SP

    Fixou que o ônus de comprovar regularidade da abertura e manutenção da conta é da instituição financeira; ausência de prova nos autos evidencia defeito na prestação do serviço — aplicado diretamente ao caso concreto.

  • STJ1.834.003/SP

    Teoria da asserção aplicada para rejeitar a preliminar de ilegitimidade passiva da PagSeguro, permitindo o julgamento de mérito contra ela.

Contrapontos rebatidos

  • PagSeguro alegou ser mera mantenedora da conta beneficiária sem responsabilidade pelo golpe; acórdão rebateu com o dever regulatório de verificar e validar identidade dos titulares (Resolução BCB 4.753/2019), cujo descumprimento configura defeito autônomo no serviço.
  • PagSeguro declarou em contestação que o processo de abertura das contas era regular, mas não juntou documento algum que respaldasse a alegação, ônus probatório do qual não se desincumbiu, determinando a procedência do pedido.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    PagSeguro não juntou nenhum documento comprovando regularidade do procedimento de abertura das contas destinatárias dos Pix fraudulentos, ônus que lhe cabia e cuja ausência foi determinante para a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·sentença fls. 499-511 complementada fls. 521
  • ·contestação fls. 394-406
  • ·acordo homologado fls. 528
  • ·acordo homologado fls. 708-710
  • ·contrarrazões fls. 656-666
  • ·petição inicial fls. 08

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro Central Cível · 28ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
FLAVIA POYARES MIRANDA
Competência
Cível
Data de autuação
17 out 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 28.618,94
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Responsabilidade do Fornecedor
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
13ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ANA DE LOURDES COUTINHO SILVA DA FONSECA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 28.618,94
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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