Acórdão · TJSP

1041785-40.2023.8.26.0576

ApelaçãO CíVel38ª CDPrivRel. ANNA PAULA DIAS DA COSTA5 fev 2026
Falso leilãoSantanderConta corrente PFWhatsAppTED
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe do falso leilão (TED R$44.825): TJSP-38ª condena Santander por abertura irregular de conta destinatária e omissão no bloqueio (Circular BCB 3.335/2006), restituindo R$22.395,91 + R$10k moral — precedente útil para defesa do banco remetente e para ataque ao banco destinatário.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
TED
Valor fraudado
R$ 44.825,00
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Golpe do falso leilão: vítima participou de leilão falso de veículo (FIAT FIORINO), arrematou pelo valor de R$44.825,00 e realizou TED para conta fraudulenta mantida no Banco Santander, seguindo orientações recebidas pelo WhatsApp.

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorValor Alto Atipico
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 22.395,91
Dano moral
R$ 10.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 32.395,91

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Abertura Irregular Conta Destinataria Ted

    Banco não comprovou regularidade na abertura da conta destinatária e não bloqueou integralmente a TED após ciência da fraude, configurando falha objetiva; valor remanescente de R$22.395,91 devido.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioLog Auditoria DisponivelAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio CompletoAlerta Antifraude Nao DisparadoEstorno Solicitado TempestivoBo Registrado Tempestivo
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Ilegitimidade Passiva Afastada Conta Destinataria

    Causa de pedir inclui abertura e manutenção irregular da conta, sujeitando o banco destinatário aos efeitos do provimento jurisdicional; sentença anulada e mérito julgado com base no art. 1.013 §3º I CPC.

    Requisitos
    Outro
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral In Re Ipsa Falha Servico Bancario

    Dano moral in re ipsa reconhecido pela falha do serviço; culpa concorrente da vítima não afasta a indenização pois CDC exige culpa exclusiva como excludente; fixado em R$10.000.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaDados Fornecidos Voluntariamente
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Ted Sem Cautela

    Banco não demonstrou regularidade da abertura da conta e não juntou documentos; culpa concorrente não exclui responsabilidade objetiva sob o CDC — apenas culpa exclusiva seria excludente.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteNexo Causal Externo ProvadoAusencia Prova Tecnica Autor
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Banco Destinatario

    Causa de pedir centrada na abertura e manutenção irregular da conta fraudulenta vincula o banco destinatário ao polo passivo, tornando a ilegitimidade insustentável.

    Requisitos
    Outro

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • TJSP1006644-04.2023.8.26.0529

    Precedente da mesma 38ª Câmara (Rel. Spencer Almeida Ferreira, j. 04/02/2025) fixou que ônus da prova da abertura regular da conta cabe ao banco e responsabilidade objetiva por fortuito interno — citado como paradigma central da decisão.

  • Sumula Stj479

    Responsabilidade objetiva das instituições financeiras por fraudes decorrentes de falhas na prestação de serviços — fundamento axial da condenação do banco destinatário.

  • Art Cpc429 II

    Ônus da prova da autenticidade da abertura da conta recai sobre o banco; banco não juntou nenhum documento, sendo este silêncio probatório decisivo para a condenação.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou culpa exclusiva do consumidor por realizar TED sem cautela; acórdão rejeitou porque CDC art. 14 §3º II exige culpa exclusiva (não concorrente) para afastar responsabilidade objetiva, e a falha na abertura da conta é imputável ao banco.
  • Banco defendeu ausência de responsabilidade por ato de terceiro; acórdão afastou porque a abertura irregular da conta é fortuito interno, atraindo a responsabilidade objetiva pela Súmula 479 STJ.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco Santander não apresentou qualquer documento demonstrando a regularidade da abertura da conta destinatária, ônus que lhe competia por força do art. 429 II CPC, resultando em condenação pela falha no serviço.

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Banco não justificou sua omissão em bloquear a integralidade do montante transferido após ciência da fraude, descumprindo o art. 4º da Circular BCB 3.335/2006, o que gerou o dever de restituir o valor remanescente.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·BO registrado em 02.02.2022
  • ·TED de R$44.825 em 01.02.2022
  • ·contrarrazões fls. 285/288
  • ·contestação fls. 70/77
  • ·sentença fls. 259/262
  • ·acordo com RGB fls. 254

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de São José do Rio Preto · 6ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
Sergio Martins Barbatto Júnior
Competência
Cível
Data de autuação
21 ago 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 42.395,91
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
38ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ANNA PAULA DIAS DA COSTA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 42.395,91
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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