Acórdão · TJSP

1007700-25.2025.8.26.0037

Falsa central de atendimentoC6 BankConta corrente PFLigaçãoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

C6 perde: Súm. 479 STJ responsabiliza banco destinatário por PIX fraudulento de R$14.963,85 contra deficiente visual; KYC falho na abertura de conta + dados internos de consignado usados pelos golpistas afastam fortuito externo.

O que foi julgado

Produto bancário
Conta corrente PF
Canal da fraude
Ligação
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 14.963,85
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Vítima deficiente visual foi contatada por suposta 'gerente' um dia após contratar empréstimo consignado; fraudadores usaram dados reais do contrato para ganhar credibilidade e induziram transferência PIX de R$ 14.963,85 para conta no banco réu

Marcadores do caso
Vitima IdosaPix Unico Alto ValorPre Emprestimo Antes TransferenciaDispositivo Da Vitima UsadoOutro Marcador
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoMonitoramento DeficienteAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 14.963,85
Dano moral
R$ 7.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 21.963,85

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorRejeitada
    Fortuito Interno Abertura Conta Estelionatario

    Tese do banco (fortuito externo/culpa exclusiva) foi rejeitada: Súm. 479 STJ e Art. 14 CDC impõem responsabilidade objetiva ao banco destinatário pela abertura de conta usada por estelionatário, configurando fortuito interno.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAlerta Antifraude Nao DisparadoOperacao AtipicaPre Existencia Emprestimo Antes Pix SuspeitoMonitoramento Ativo ReconhecidoCombo Probatorio Completo
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Relacao Consumo Cadeia Fornecimento

    Preliminar do banco rejeitada: Art. 3º e §2º CDC abrange banco destinatário como integrante da cadeia de fornecimento de serviços bancários, independentemente de vínculo contratual direto com o autor.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Consumidor Terceiro Fraudador

    Excludente do Art. 14 §3º II CDC afastada porque a vulnerabilidade do deficiente visual e o uso de dados institucionais do contrato consignado pelos fraudadores tornam inviável imputar culpa exclusiva ao consumidor.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteHipossuficiente TecnicaAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Ausencia Relacao Consumo Banco Destinatario

    Banco não era correntista direto do autor, mas o TJSP aplicou conceito amplo de fornecedor do CDC, rejeitando a preliminar.

    Requisitos
    Outro
  • MoralPró-bancoRejeitada
    Reducao Quantum Dano Moral

    Quantum de R$7.000,00 mantido como proporcional diante da condição de deficiente visual, extensão do dano e caráter pedagógico da condenação.

    Requisitos
    Hipossuficiente Tecnica
  • HonorariosPró-consumidorAcolhida
    Majoracao Honorarios Recursais Art85 Cpc

    Honorários majorados de 10% para 15% pelo desprovimento integral do recurso, nos termos do Art. 85 §11 CPC.

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central que responsabilizou objetivamente o C6 como banco destinatário pelo fortuito interno de abertura de conta usada para receber valores fraudados.

  • Art Cdc14

    Responsabilidade objetiva do fornecedor por defeito no serviço; afastou a excludente do §3º II (culpa exclusiva do consumidor/terceiro) diante da vulnerabilidade da vítima e uso de dados institucionais.

  • Art Cdc3

    Definição ampla de fornecedor que estendeu a responsabilidade ao C6 mesmo sem vínculo contratual direto com o autor, afastando a preliminar de ilegitimidade.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou cumprimento da Res. BACEN 4.753/2019 com biometria e prova de vida, mas o tribunal rejeitou: cumprimento formal não afasta falha no modelo de segurança quando dados institucionais foram usados pelos fraudadores.
  • Banco negou nexo causal por ser mero receptor da transferência, mas o TJSP aplicou Súm. 479 STJ: abertura de conta por estelionatário e recebimento de valores de clara inconsistência integram fortuito interno.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Banco não demonstrou como dados internos do contrato consignado chegaram aos fraudadores um dia após a contratação, deixando de afastar o indício de falha sistêmica que fundamentou a condenação.

  • Aproveitou: Pró-banco

    Banco não comprovou ter sistema de monitoramento capaz de detectar comportamento atípico na conta destino que recebeu R$14.963,85 de origem com clara inconsistência.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·comprovante PIX R$ 14.963,85 (fls. 3-7)
  • ·extratos conta destino C6 (fls. 18)
  • ·contrato consignado autor (fls. 34)
  • ·verificação biométrica Res. 4.753/2019

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Araraquara · 5ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
WILTON GONÇALVES GARCIA FILHO
Competência
Cível
Data de autuação
28 mai 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 34.963,85
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Práticas Abusivas
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. VII (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
FABIANA CALIL CANFOUR DE ALMEIDA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 34.963,85
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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