Acórdão · TJSP

1001914-42.2025.8.26.0411

Falso advogadoBradescoEmpréstimo pessoalWhatsAppEmpréstimo pessoal fraudulento
Banco venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Golpe falso advogado via WhatsApp: autora forneceu dados e seguiu instruções de fraudador; TJSP manteve improcedência total por culpa exclusiva da vítima (fortuito externo, art. 14 §3 II CDC), afastando Súmula 479 STJ — precedente forte para defesa do banco.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
Empréstimo pessoal
Canal da fraude
WhatsApp
Instrumento de perda
Empréstimo pessoal fraudulento
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
100% consumidor
Descrição do golpe

Golpe do falso advogado: terceiro se apresentou via WhatsApp como advogado da vítima, anunciando processo judicial com valores a liberar; em seguida, suposto servidor do gabinete do juiz ligou solicitando dados bancários e orientando acesso ao app, resultando em empréstimo pessoal e transferência via PIX para terceiro.

Marcadores do caso
Dispositivo Da Vitima UsadoPre Emprestimo Antes TransferenciaPix Unico Alto Valor

Resultado

Dano material
R$ 0,00
Dano moral
R$ 0,00
Prejudicado Improcedencia
Custo total estimado
R$ 0,00
Fundamento do afastamento do dano moral

ausencia_conduta_ilicita_banco_fortuito_externo

Teses

  • ★ principalIntegralPró-bancoAcolhida
    Culpa Exclusiva Vitima Falso Advogado

    Autora confessou ter fornecido dados bancários e seguido instruções de fraudador via WhatsApp, configurando culpa exclusiva da vítima como fortuito externo excludente da responsabilidade objetiva do banco.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoHipossuficiente TecnicaAto Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado
  • MoralPró-bancoAcolhida
    Dano Moral Afastado Ausencia Conduta Ilicita Banco

    Ausente conduta ilícita do banco, o dano moral não se configura por falta do elemento central da responsabilidade civil.

    Requisitos
    Ato Terceiro Identificado
  • HonorariosPró-bancoAcolhida
    Majoracao Honorarios Art85 Par11 Cpc

    Honorários majorados de 10% para 15% pelo desprovimento da apelação, com base no art. 85, §11, CPC e Tema 1.059 STJ.

  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Sumula 479 Stj Responsabilidade Banco Fraude

    Súmula 479 STJ afastada porque a culpa exclusiva da vítima configura fortuito externo, rompendo o nexo causal necessário para responsabilização do banco.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteAusencia Prova Tecnica Autor
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Dever Banco Bloquear Operacoes Atipicas

    Tribunal rechaçou obrigação de monitoramento e bloqueio automático de operações atípicas, pontuando que tal imposição poderia configurar prática abusiva e restringir a liberdade de transacionar do consumidor.

    Requisitos
    Operacao No Perfil VitimaAlerta Antifraude Nao Disparado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Art Cdc14_§3_II

    Fundamento central da improcedência: culpa exclusiva da vítima como causa excludente da responsabilidade objetiva do banco, afastando toda a pretensão indenizatória.

  • Sumula Stj479

    Afastada expressamente porque o fortuito externo por culpa exclusiva da vítima rompe o nexo causal necessário para sua incidência, sendo o precedente central enfrentado pelo acórdão.

  • TJSP1003383-02.2025.8.26.0322

    Precedente análogo do TJSP (Rel. Fernando Sastre Redondo, j. 20/02/2026) sobre golpe do falso advogado citado para reforçar a improcedência por ato exclusivo de terceiro.

Contrapontos rebatidos

  • A autora imputou ao banco falha na prestação de serviços pela fraude de terceiro; o acórdão rebateu afirmando que a conduta acintosamente imprevidente da autora ao fornecer dados e seguir instruções de fraudador rompe o nexo causal, configurando fortuito externo excludente (art. 14, §3º, II, CDC).
  • A autora argumentou que o banco deveria ter bloqueado operações atípicas; o acórdão rebateu que não existe regra legal impondo tal obrigação e que o bloqueio indiscriminado poderia configurar prática abusiva, inclusive gerando dano moral ao consumidor.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    A autora não demonstrou qualquer falha de segurança atribuível ao banco, ônus que recaía sobre ela nos termos do CDC, o que contribuiu decisivamente para a improcedência.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·fls. 02/03 — narrativa do golpe
  • ·fls. 185/191 (194/202) — sentença improcedência
  • ·fls. 126/149 — defesa do banco
  • ·fls. 58/59 — gratuidade deferida

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Pacaembu · 1ª Vara
Colegiado
Relator / Juiz
EDUARDO DE MENDONÇA SANTANA
Competência
Cível
Data de autuação
15 set 2025
Última movimentação
Valor da causa
R$ 22.603,59
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Responsabilidade do Fornecedor
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
Núcleo 4.0-T. I (DP2)
Colegiado
Relator / Juiz
M.A. BARBOSA DE FREITAS
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 22.603,59
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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