Acórdão · TJSP

1000896-28.2023.8.26.0452

ApelaçãO CíVel31ª CDPrivRel. ADILSON DE ARAUJO13 fev 2026
Engenharia social (genérica)PanFinanciamentoPresencialEmpréstimo pessoal fraudulento
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Banco PAN condenado solidariamente por fortuito interno via correspondente bancária (revendedora): biometria capturada fraudulentamente pelo preposto formaliza financiamento com condições divergentes — dano moral majorado R$5k→R$10k.

O que foi julgado

Produto bancário
Financiamento
Canal da fraude
Presencial
Instrumento de perda
Empréstimo pessoal fraudulento
Valor fraudado
R$ 18.000,00
Divisão da responsabilidade
Solidária entre réus
Descrição do golpe

Preposto de revendedora de veículos capturou biometria facial da consumidora sob falsa premissa de ser apenas simulação, formalizou contrato de financiamento com condições divergentes das pactuadas, e posteriormente apropriou-se do veículo dado como entrada e do veículo financiado

Marcadores do caso
Contratacao DigitalDispositivo De Terceiro UsadoValor Alto Atipico
Sinais de alerta
Sem Biometria ContratacaoKyc Deficiente Conta DestinoAntifraude Falhou

Resultado

Dano material
R$ 18.000,00
Dano moral
R$ 10.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 28.000,00

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorAcolhida
    Fortuito Interno Preposto Revendedora Correspondente Bancario

    Revendedora integrava cadeia de fornecimento como correspondente bancária; banco delegou captura de biometria e assumiu o risco, configurando fortuito interno nos termos da Súmula 479/STJ.

    Requisitos
    Biometria ValidadaDados Fornecidos VoluntariamenteDispositivo Da Vitima UsadoHipossuficiente TecnicaOutro
  • MaterialPró-consumidorAcolhida
    Contratos Coligados Vicio Compra Venda Contamina Financiamento

    Contratos coligados: vício na compra e venda contamina o financiamento, impondo anulação, baixa do gravame e cancelamento da negativação.

    Requisitos
    Outro
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Inscricao Indevida Cadastro Inadimplentes In Re Ipsa Majoracao

    Inscrição indevida gera dano moral in re ipsa; gravidade da fraude (perda dupla de veículos, dívida majorada) justificou majoração de R$5k para R$10k pelo caráter compensatório e punitivo-pedagógico.

    Requisitos
    Bo Registrado TempestivoHipossuficiente TecnicaOperacao Atipica
  • IntegralPró-bancoRejeitada
    Fortuito Externo Ato Ilicito Preposto Revendedora

    Tese do fortuito externo rejeitada porque a revendedora atuava como correspondente bancária integrada à cadeia de fornecimento, tornando o risco inerente ao empreendimento bancário.

    Requisitos
    Ato Terceiro IdentificadoNexo Causal Externo Provado

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Fundamento central para responsabilidade objetiva do Banco PAN por fortuito interno — fraude ocorrida no âmbito de operação bancária via sistema disponibilizado pelo banco ao correspondente.

  • Art Cdc7_paragrafo_unico_e_34

    Embasou a responsabilidade solidária da instituição financeira ao reconhecer a revendedora como integrante da cadeia de fornecimento e preposta do banco na captação de clientes.

  • TJSP1089574-13.2020.8.26.0100

    Precedente análogo de fortuito interno por sistema oficial do banco usado em fraude, citado pelo Rel. Adilson de Araujo como paradigma para solidariedade e dano moral in re ipsa.

Contrapontos rebatidos

  • Banco alegou regularidade formal da contratação com biometria facial e geolocalização; acórdão rebateu afirmando que aceitar contratação em dispositivo do vendedor sem verificar real vontade da consumidora configura falha no dever de segurança e informação.
  • Banco sustentou culpa exclusiva do preposto da revendedora como fato de terceiro; acórdão rebateu reconhecendo que a delegação da captura de biometria ao correspondente bancário integra o risco do empreendimento, afastando o fortuito externo.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    Banco não demonstrou que verificou a real vontade da consumidora ao aceitar contratação realizada em dispositivo do vendedor, ônus que pesou decisivamente contra a instituição.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Adulto
Ocupação
Aposentado
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·fls. 45/46 — negativação da autora
  • ·fls. 633/640 — sentença recorrida
  • ·fls. 658/663 — contrarrazões Banco PAN
  • ·BO mencionado no corpo do acórdão
  • ·contrato nº 092193625

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Piraju · 2ª Vara
Colegiado
Relator / Juiz
Tadeu Trancoso De Souza
Competência
Cível
Data de autuação
22 mar 2023
Última movimentação
Valor da causa
R$ 43.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Encerrado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
31ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ADILSON DE ARAUJO
Competência
Direito Privado 3
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 43.000,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Contratos - Compra e Venda
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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