Acórdão · TJSP

1000465-15.2024.8.26.0660

ApelaçãO CíVel38ª CDPrivRel. ANNA PAULA DIAS DA COSTA4 fev 2026
Invasão de conta / empréstimos fraudulentosNubankApp digitalIndefinidoPIX
Consumidor venceu

Análise do acórdão

Síntese do caso

Pay2Free condenada por falha KYC (Res. Bacen 4.753/2019): Súmula 479 STJ por analogia; R$26.127 material + R$6.000 moral; vítima consumidora por equiparação (art.17 CDC); recurso desprovido por unanimidade.

O que foi julgado

Produto bancário
App digital
Canal da fraude
Indefinido
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
R$ 26.127,05
Divisão da responsabilidade
100% banco
Descrição do golpe

Fraudadores utilizaram conta digital aberta na Pay2Free (sem due diligence/KYC adequado) para receber transferência via Pix desviada da vítima; vítima teve saldo do cartão de crédito subtraído e precisou contratar empréstimo para cobrir o débito gerado pela fraude.

Marcadores do caso
Pix Unico Alto ValorPre Emprestimo Antes TransferenciaContratacao Digital
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoAntifraude FalhouMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
R$ 26.127,05
Dano moral
R$ 6.000,00
In Re Ipsa
Custo total estimado
R$ 32.127,05

Teses

  • ★ principalIntegralPró-consumidorAcolhida
    Falha Kyc Abertura Conta Destino Fraudadores

    Pay2Free não apresentou documentação determinada judicialmente, gerando presunção de falha KYC; Súmula 479 STJ aplicada por analogia; responsabilidade objetiva configurada.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioAlerta Antifraude Nao DisparadoLog Auditoria DisponivelAusencia Prova Tecnica AutorCombo Probatorio Completo
  • MoralPró-consumidorAcolhida
    Dano Moral In Re Ipsa Fraude Bancaria Comprometimento Patrimonial

    Dano moral in re ipsa reconhecido pelo comprometimento patrimonial, necessidade de empréstimo, ausência de solução administrativa e necessidade de litigar; R$6.000 mantido.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaPre Existencia Emprestimo Antes Pix Suspeito
  • PreliminarPró-consumidorAcolhida
    Legitimidade Passiva Intermediadora Pagamentos Consumidor Equiparado

    Pay2Free subordinada ao Bacen e atuante como correspondente financeiro; iura novit curia afastou nulidade; art. 17 CDC configurou bystander.

    Requisitos
    Hipossuficiente TecnicaFalha Kyc Intermediario
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Intermediadora Pagamentos

    Rejeição: Pay2Free confessou subordinação ao Bacen e atuação como correspondente; legitimidade passiva reconhecida por iura novit curia e art.17 CDC.

    Requisitos
    Falha Kyc Intermediario
  • MaterialPró-consumidorRejeitada
    Falha Exclusiva Nubank Nao Da Pay2free

    Rejeição: nexo causal configurado entre abertura de conta fraudulenta na Pay2Free e dano; conta da Pay2Free foi condição necessária do golpe; Nubank absolvido separadamente.

    Requisitos
    Nexo Causal Externo ProvadoFalha Kyc Intermediario
  • MoralPró-consumidorRejeitada
    Inexistencia Dano Moral Imputavel Pay2free

    Rejeição: dano moral in re ipsa reconhecido; R$6.000 proporcional e razoável; função punitiva/pedagógica preservada; redução negada.

    Requisitos
    Pre Existencia Emprestimo Antes Pix Suspeito

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Aplicada por analogia para responsabilizar objetivamente a Pay2Free como intermediadora que permitiu abertura de conta fraudulenta, atraindo fortuito interno.

  • Art Cdc17

    Enquadrou a autora como consumidora por equiparação (bystander), viabilizando a responsabilidade objetiva da Pay2Free mesmo sem relação contratual direta.

  • Art Cdc14

    Caracterizou serviço defeituoso pela ausência de KYC adequado na abertura de conta, fundamento central da condenação material e moral.

Contrapontos rebatidos

  • Pay2Free confessou subordinação ao Bacen e atuação como correspondente; tribunal aplicou iura novit curia afastando nulidade da sentença e legitimando analogia à Súmula 479 STJ.
  • Acórdão reconheceu que a conta fraudulenta aberta na Pay2Free foi elemento central do golpe; Nubank absolvido pois seu vínculo não foi condição necessária; nexo causal da Pay2Free mantido.
  • Tribunal entendeu que o empréstimo contratado pela vítima para evitar negativação é dano emergente direto da fraude, não causa superveniente autônoma; obrigação de indenizar abrange totalidade dos prejuízos.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-consumidor

    Pay2Free deixou transcorrer prazo judicial sem apresentar documentação de abertura da conta do fraudador, gerando presunção de veracidade da falha KYC e selando a condenação.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·sentença fls. 307/318
  • ·embargos rejeitados fls. 334/335
  • ·decisão saneadora fls. 268/269
  • ·certidado serventia fls. 274
  • ·apelação fls. 363/384
  • ·preparo fls. 385/386
  • ·contrarrazões fls. 391/398

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Viradouro · Vara Única
Colegiado
Relator / Juiz
Competência
Cível
Data de autuação
29 abr 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 46.127,05
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
38ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
ANNA PAULA DIAS DA COSTA
Competência
Direito Privado 2
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 46.127,05
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO DO CONSUMIDOR - Contratos de Consumo - Bancários
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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