Acórdão · TJSP

1006497-78.2024.8.26.0161

ApelaçãO CíVel27ª CDPrivRel. DARIO GAYOSO16 dez 2025
Falso leilãoPagSeguroApp digitalSite falsoPIX
Parcial

Análise do acórdão

Síntese do caso

Falso leilão: TJSP limita PagSeguro ao PIX de R$33.305 que intermediou, afastando responsabilidade pela TED Santander — útil para delimitar escopo da responsabilidade objetiva de instituições de pagamento.

O que foi julgado

Tipo de golpe
Produto bancário
App digital
Canal da fraude
Site falso
Instrumento de perda
PIX
Valor fraudado
Divisão da responsabilidade
Recíproca · banco maior
Descrição do golpe

Golpe do falso leilão: vítimas acessaram site fraudulento de leilão (mesquitaleiloes.org), arremataram veículo inexistente e realizaram transferências (TED e PIX) para contas dos fraudadores

Marcadores do caso
Multiplas Transferencias EscalonadasValor Alto AtipicoContratacao Digital
Sinais de alerta
Kyc Deficiente Conta DestinoAntifraude FalhouMonitoramento Deficiente

Resultado

Dano material
R$ 33.305,00
Dano moral
Nao Pedido
Custo total estimado
R$ 33.305,00

Teses

  • ★ principalMaterialPró-consumidorAcolhida
    Responsabilidade Objetiva Instituicao Pagamento Pix

    PagSeguro intermediou o PIX e não comprovou fortuito externo nem medidas tempestivas de prevenção, respondendo objetivamente pelo serviço prestado (art. 14 CDC + Súmula 479 STJ por analogia).

    Requisitos
    Alerta Antifraude Nao DisparadoLog Auditoria DisponivelEstorno Solicitado TempestivoBo Registrado TempestivoFalha Kyc IntermediarioAusencia Prova Tecnica AutorOperacao Atipica
  • MaterialPró-bancoAcolhida
    Exclusao Responsabilidade Ted Banco Terceiro

    TED de R$30.000 transitou exclusivamente pelo Banco Santander sem qualquer participação da PagSeguro, afastando nexo causal e responsabilidade da instituição de pagamento.

    Requisitos
    Nexo Causal Externo ProvadoOutro
  • PreliminarPró-consumidorRejeitada
    Legitimidade Passiva Instituicao Pagamento

    Preliminar rejeitada pois PagSeguro manteve conta beneficiária, realizou análise de abertura de conta e intermediou o PIX, caracterizando legitimidade passiva.

    Requisitos
    Falha Kyc IntermediarioOutro
  • MaterialPró-bancoRejeitada
    Culpa Exclusiva Autores Voluntariedade Transacao

    Tese rejeitada: cautela insuficiente da vítima não configura dolo ou culpa exclusiva; operação em canal formal de pagamento afasta imputação de culpa ao consumidor.

    Requisitos
    Dados Fornecidos VoluntariamenteBo Registrado TempestivoHipossuficiente Tecnica
  • PreliminarPró-bancoRejeitada
    Ilegitimidade Passiva Mera Mantenedora Conta

    PagSeguro não é mera mantenedora passiva — realizou análise KYC para abertura de conta e viabilizou ativamente a transferência fraudulenta, reforçando sua legitimidade passiva.

    Requisitos
    Falha Kyc Intermediario

Como o tribunal decidiu

Precedentes decisivos

  • Sumula Stj479

    Aplicada por analogia extensiva à PagSeguro (instituição de pagamento supervisionada pelo BACEN) para impor responsabilidade objetiva pelo fortuito interno na intermediação do PIX.

  • Art Cdc14

    Fundamento central da responsabilidade objetiva da PagSeguro pelo serviço prestado, afastada somente por culpa exclusiva do consumidor ou fortuito externo — nenhum comprovado.

  • TJSP1010604-85.2022.8.26.0566

    Precedente da 27ª Câmara (Rel. Sergio Alfieri, j. 19/12/2023) sobre golpe de falso leilão reconhecendo responsabilidade objetiva de instituição financeira mantenedora de conta por fortuito interno, citado expressamente para reforçar a condenação.

Contrapontos rebatidos

  • PagSeguro alegou fortuito externo por engenharia social; tribunal rejeitou por não haver prova do cumprimento tempestivo das medidas da Resolução 147/2021 BACEN, caracterizando fortuito interno na intermediação do PIX.
  • Banco apontou que autores não conferiram CNPJ nem valor FIPE; acórdão reconheceu cautela insuficiente mas afastou culpa exclusiva, pois operação formal em conta de pagamento gera expectativa legítima de proteção.

Ônus não cumprido

  • Aproveitou: Pró-banco

    PagSeguro não apresentou prova documental da data exata do contato da vítima nem demonstrou adoção eficaz das medidas da Resolução 147/2021 BACEN, ônus que lhe competia e que pesou para manter a condenação.

  • Aproveitou: Pró-banco

    PagSeguro não demonstrou conferência das informações e idoneidade dos documentos na abertura da conta beneficiária do PIX fraudulento.

Contexto

Perfil da vítima

Faixa etária
Indefinido
Ocupação
Indefinido
Vulnerabilidade
Hipossuficiente técnico
Movimento atípico
Sim

Documentos citados

  • ·TED R$30.000 Banco Santander (p. 20)
  • ·PIX R$33.305 via PagSeguro (p. 21)
  • ·BO lavrado em 03/02/2024 (p. 48/50)
  • ·Resposta PagSeguro em 20/02/2024 (p. 262)
  • ·Solicitação devolução Nu Pagamentos 08/02/2024 (p. 553)
  • ·Sentença condenatória (p. 525/527 e 538)
  • ·Contrarrazões autores (p. 557/572)

Capa do processo

1ª instância

Classe
Procedimento Comum CíVel
Órgão julgador
Foro de Diadema · 2ª Vara Cível
Colegiado
Relator / Juiz
ANDRE PASQUALE ROCCO SCAVONE
Competência
Cível
Data de autuação
21 mai 2024
Última movimentação
Valor da causa
R$ 63.305,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
Indenização por Dano Material
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

2ª instância

Julgado
Classe
ApelaçãO CíVel
Órgão julgador
27ª Câmara de Direito Privado
Colegiado
Relator / Juiz
DARIO GAYOSO
Competência
Direito Privado 3
Data de autuação
Última movimentação
Valor da causa
R$ 63.305,00
Justiça gratuita
Antecipação de tutela
Assunto
DIREITO CIVIL - Obrigações - Espécies de Contratos - Compra e Venda
eSAJ·atualizado em 22/04/2026

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